quinta-feira, 18 de março de 2010
Victor Jara: El derecho de vivir en paz
Esta linda canção em homenagem ao povo vietnamita em sua luta contra o império americano tem plena aplicação aos dias atuais de clara ofensiva imperialista contra Cuba.
Aos intelectuais e artistas do mundo
quarta-feira, 17 de março de 2010
Os fariseus e a dignidade
“Há de haver no mundo certa quantidade de decoro,
como há de haver certa quantidade de luz.
Quando há muitos homens sem decoro, há sempre outros
que têm em si o decoro de muitos homens.
Estes são os que se rebelam com força terrível
contra os que roubam aos povos sua liberdade,
que é roubar-lhes seu decoro.
Nesses homens vão milhares de homens,
vai um povo inteiro,
vai a dignidade humana…
Fonte: Carta Maior
terça-feira, 16 de março de 2010
Venezuela: EUA criam mentiras e posam de guia de direitos humanos
Cuba e a campanha midiática dos EUA
sábado, 13 de março de 2010
Até quando durará o mecanismo ianque de desinformação?
Depois de organizações identificadas com a CIA, do terrorista internacional e também agente Luis Posada Carriles, é a vez do chamado Comitê para a Proteção dos Jornalistas, sediado em Nova York, apadrinhado por grandes empresas e claramente vinculado à inteligência norteamericana (CIA), somar-se à campanha midiática contra Cuba desencadeada nas últimas semanas desde Miami.
Os Dow Jones, Citigroup, American Express, Goldman Sachs & Co aparecem entre os que entregam regularmente suas doações ao “Committee to Protect Journalists” (CPJ), uma organização abertamente financiada por gigantes da imprensa corporativa tais como McClatchy Company (donos do Miami Herald), Forbes Inc., Bloomberg, CNN, Time Warner y Associated Press.
O CPJ acaba de emitir uma declaração – difundida pela própria Associated Press - a favor de Guillermo “Coco” Fariñas, delinquente que se pretende “jornalista” e que vive há anos de “remessas” mafiosas.
A organização radicada no 11º andar da 330 7th Avenue en Nueva York e que supostamente se dedica a defender os jornalistas, tomou ultimamente o papel do francês Robert Menard, de Reporteres Sem Fronteiras, que ficou milionário com o mesmo conto e que disfruta hoje de seu novo estatuto en seu yacht, ancorado nos Emirados.
Para dar apenas um exemplo das virtudes “humanitárias” dos padrinhos do CPJ, o banco de inversões Goldman Sachs acaba de ser denunciado na Europa por ter manipulado as finanças nacionais da Grécia em favor de sua clientela de investidores multimilionarios, provocando uma desastrosa crise financeira cuja conta terá que ser assumida pelo contribuinte grego.
Também na lista dos “bemfeitores” do grupo que pretende ensinar o respeito aos direitos humanos, encontra-se o muito controvertido Open Society Institute do magnata George Soros, descrito por James Petras como “um dos maiores e rapaces especuladores do mundo”.
Mais sujo ainda, o CPJ que se preocupa con Fariñas, tem entre suas retransmissores mais fervorosos a órgãos de propaganda do estado norteamericano – este mesmo que mantem a 200 presos en suas jaulas de tortura de Guantánamo - tais como Radio Free Europe, Radio Liberty, a Voz de América e até inventos tão identificados com a versão estadounidense da liberdade de imprensa como a mafiosa Radio-TV Martí.
A última intervenção do CPJ contra Cuba é característica das manobras propagandísticas exibidas pela CIA, cada vez com maior frequência, em situações que privilegiam o cenários de guerra suja contra a América Latina.
Quando a CIA propagandeia e amplifica a muerte que programou
Há pouco tempo, a CIA tinha tudo pronto, antes que ocorresse, seu plano para amplificar nos meios de comunicação a morte de Orlando Zapata que seus próprios serviços converteram em “dissidente” e cujo suicídio por greve de fome programou.
O coro das distintas sucursais “informativas” da Agência e do Departamento de Estado gerou instantaneamente - segundo o motor de busca Google - a publicação em mais de 2000 meios de imprensa toda uma série de intervenções cujas características demonstram um plano propagandístico bem planificado.
O Nuevo Herald de Miami, que a CIA usa como navio mãe neste tipo de operação, junto com El País de Madrid e as agências EFE e AFP, dirigiu o concerto de ataques, acudindo a todas as organizações subsidiadas pela USAID já preparadas previamente para este golpe mediático.
O Directorio Democrático Cubano (DDC) de Miami, arquétipo de falsa ONG subsidiada por Washington com milhões de dólares, foi talvez o mais estridente dos participantes em um gigantesco show que foi retomado de maneira fulminante por toda a teia de aranha de agressão midiática preparada, instruída e orientada pelos diferentes mecanismos afiliados.
A este show “anticastrista” se somaram em uma perfeita sincronização a Fundacão Nacional Cubano Americana, o chamado Conselho pela Liberdade de Cuba cujos membros, todos simpatizantes do terrorismo contra a Ilha, também se distinguiram no transcurso do ano passado por seu apoio à ditadura hondurenha.
Da mesma forma, apologistas de Roberto Micheletti, tais como a congressista Ileana Ros-Lehtinen, o “intelectual” Carlos Alberto Montaner (escritor y periodista), que aplaudiram a polílica assassina da ditadura, apareceram “espontaneamente” para “defender os direitos humanos”. O que fizeram ao lado dos habituais protagonistas de shows “anticastristas”, tais como o terrorista Ángel De Fana, Silvia Iriondo e Ramón Saúl Sánchez, todos colaboradores eminentes da CIA.
Sánchez, que chorou ao referir-se a Zapata, se absteve de recordar seu passado de assassino no grupo terrorista Omega 7, quando mandou Pedro Remón assassinar, ante seu filho de 12 anos, o exilado Eulalio José Negrín, em 25 de noviembre de 1979.
Mas o cúlmulo surgiu quando o próprio Luis Posada Carriles foi exibir-se em Miami, frente às câmaras do mafioso Canal 41, depois de um desfile de cerca de 500 fanáticos que o Nuevo Herald avaliou em 5.000.
Supõe-se que como órgão da máfia local, o canal 41 não ignora que Posada é o homem que mandou matar em 1976 aos 73 inocentes do avião da Cubana, que ordenou em Caracas a seus esbirros dar chutes na barriga de mulheres grávidas, que traficou armas e drogas no que se chamou de escándalo Irán-Contras e que ordenou os atentados assassinos em Havana durante o ano de 1997 e que levaram a morte o turista italiano Fabio di Celmo.
Contudo, frente ao monumento dos mercenários da brigada 2506 de Playa Girón, operação pela qual foi contratado como mercenário, o velho assassino declarou, referindo-se a Zapata, que se “unia a dor dos cubanos pela morte desse herói”.
A chamada “grande imprensa”, escrita, televisiva ou radiofônica, não é mais que a parte mais visível da maquinaria imperial de injerência da qual fazem parte também, além dos próprios órgãos de espionagem, as sucursales da NED, de Freedom House, o Instituto Republicano Internacional (IRI), o Instituto Demócrata Nacional (NDI), a Development Alternatives Inc. (DAI) as “fundações” européias e pseudos ONGs tais como Repórteres Sem Fronteiras e semelhantes.
O engano sistemático praticado por estes órgãos de comunicação erigidos em monopólios da informação no curso de várias décadas de auténticas conspirações, com a cooperação ativa e culpável da agências de imprensa “internacionais”, converteu-se no fenômeno mais pernicioso da luta do capital para garantir sua sobrevivência. Uma luta encabeçada e rigorosamente controlada por um império insaciável, agressivo e traiçoeiro que nunca entende a voz da razão salvo quando os povos a impõem.
Antecedentes de Orlando Zapata
Orlando Zapata Tamayo, de 42 años, não fazia parte do grupo de mercenarios que foram julgados em março de 2003 (ou seja núnca foi parte dos 75 que os inimigos de Cuba denominam de presos políticos).
Cumpria uma sanção conjunta de privação de liberdade de 25 anos, depois de ter sido sancionado em, a tres anos, por desordem pública, desacato e resistência. Seu histórico delitivo é de um delinquente comum.
Desde julho de 1990, foi processado e condenado em reiteradas ocasiões por delitos comuns, entre eles por desordem, danos, resistência, duas acusações de fraudes contra terceiros, exibicionismo público, lesões pessoais e porte de arma branca. Quando já cumpria a pena de privação de liberdade, foi sancionado outras vezes por desordem no estabelecimento penitenciário e desacato.
Em 2001, vinculou-se à contra-revolução, contatado entre outros mercenarios por Oswaldo Payá Sardiñas y Marta Beatriz Roque.
Em 2003, ingressou novamente na prisão e a partir então protagoniza várias ações violentas dentro dela, agredindo fisicamente a funcionários penitenciários. Negou-se reiteradas ocasiões a consumir os alimentos do presídio e só consumia os alimentos que recebia de seus familiares.
Declarou-se greve de fome em 18 de dezembro de 2009, negando-se a receber assistência médica. Nada obstante, foi trasladado primeiramente ao Posto Médico do presídio, posteriormente, ao Hospital Provincial da cidade de Camaguey, e depois ao Hospital Nacional de Reclusos de La Habana.
Em todos os lugares, realizaram-se exames clínicos e lhe foi prestada toda a assistência médica necessária, inclusive terapia intermédia e intensiva e alimentação voluntária por via parenteral (endovenosa) e enteral. Garantiu-se a ele todos os medicamentos e tratamientos necessários até seu falecimento, o que foi reconhecido por sua própria mãe.
Em 3 de fevereiro, apresentou febre que desapareceu em 24 horas. Posteriormente, diagnosticou-se uma pneumonia que foi tra com antibióticos e procedimentos mais avançados. Com o comprometimento de ambos os pulmões, foi assistido com respiração artificial até sua morte.
Depois do seu ingreso ao estabelecimento penitenciário, a mãe de Zapata Tamayo, Reyna Luisa Tamayo, vinculou-se a atividades de grupos contra-revolucionários, pelos quais recibía dinheiro de organizações que atuam em território dos Estados Unidos como a Fundación Nacional Cubano Americana, sobre a qual pesa acusações de práticas de inúmeros atos terrosristas contra Cuba.
quarta-feira, 3 de março de 2010
Cuba e África: solidariedade verdadeira
Nos últimos dias Cuba tem sido criticada insistentemente por representantes da grande mídia e setores reacionários.
Nada a estranhar até aí. O que é realmente lamentável é que alguns setores do movimento social, a quem a revolução Cubana foi sempre solidária, se some às críticas. Alguns tentam, inclusive, imputar a um suposto racismo do governo cubano, a responsabilidade pela morte do preso Orlando Zapata, vítima de uma greve de fome.
O vídeo acima, embora em inglês, servirá para lembrar que enquanto os países ditos democráticos e desenvolvidos apoiavam o colonialismo e o apartheid, a Revolução Cubana lutou ombro a ombro com o MPLA (Angola), SWAPO (Namíbia), Frelimo (Moçambique) PAIGC (Guiné e Cabo Verde) pela independência africana e com o CNA contra o regime racista da Africa do Sul. No vídeo está Fidel com cada um dos grandes líderes anticolonialistas africanos e a expressão emocionada da gratidão de Nelson Mandela pela solidariedade cubana à luta contra o apartheid.
Vale lembrar também que enquanto os membros do Partido Panteras Negras eram perseguidos, mortos ou presos na luta contra o racismo nos Estados Unidos, a Revolução Cubana os apoiava e recebeu de braços abertos uma de suas líderes, Assata Shakur, que escapou de uma prisão americana em fins dos anos 70 e vive até hoje na ilha de Cuba.
Basta de hipocrisia em matéria de direitos humanos!
Cuba nada tem a aprender nessa matéria com o país que hoje mata civis no Afeganistão e chama a isso de danos colaterais e nem mesmo com o Brasil onde assiste-se a um verdadeiro genocídio da juventude negra!
segunda-feira, 1 de março de 2010
Quanta hipocrisia dessa gente de direitos humanos seletivos. Atacam Cuba para atingir Lula
Por Max Altman
A greve de fome de pessoa que cumpre pena em presídio é uma arma de desobediência e um desafio às determinações do Estado que pode assumir caráter político ou de reivindicação por melhores condições carcerárias. Manifestação de vontade individual ou coletiva, deve ser respeitada e criteriosamente avaliada. Ao tomar, conscientemente, a grave decisão de iniciar a greve de fome o preso sabe - e é informado - que a conseqüência pode ser fatal.
Alguns entregam sua vida por um ideal mais nobre. Esses contam com defensores de fora da prisão que pressionam as autoridades a fim de que o objetivo da greve de fome seja alcançado. Outros priorizam sua própria vida e ainda assim esperam ver acatadas suas exigências. Quando ocorre a morte, os verdadeiros humanistas se condoem.
Contudo, a reação que se leu, viu e ouviu nesses dias a respeito do caso do cubano Orlando Zapata Tamayo passa longe da natural comiseração. O cadáver de Zapata é agora exibido como um troféu coletivo. Os grandes meios de comunicação já vinham antecipando o desenlace com intenções pouco dissimuladas de utilização com premeditados fins políticos.
Zapata não fazia parte dos chamados dissidentes que foram julgados em março de 2003, não era um dos 75. Tinha um longo histórico delitivo comum, nada vinculado à política. Transformado depois de muitas idas e vindas à prisão em ativista político, era um homem prescindível para os opositores da Revolução.
Cumpria uma sentença de privação de liberdade de 25 anos depois de ter sido inicialmente sentenciado em 2004 a três anos por desordem pública, desacato e resistência. Vinculou-se aos dissidentes após contactos com Oswaldo Payá e Marta Beatriz Roque. Declarou-se em greve de fome em 18 de dezembro. Apesar de se negar a tanto, recebeu, de acordo com o que estabelece o Tratado de Malta, a assistência médica necessária, inclusive terapia intermédia e intensiva e alimentação voluntária por via parenteral endovenosa e enteral. Transferido para um hospital geral foi-lhe diagnosticado pneumonia, tratada com os procedimentos mais avançados. Ao ter comprometido ambos os pulmões, foi assistido com respiração artificial até que ocorreu o óbito.
Vou à história, curioso em saber como a grande imprensa cobriu greves de fome de presos que terminaram ou não em morte e como selecionam os direitos humanos.
Ao assumir o governo inglês em 1979, Margareth Thatcher deflagrou uma ofensiva militar e política contra os movimentos pela libertação da Irlanda do Norte. A virulenta tentativa de criminalização do republicanismo irlandês passava pela supressão de qualquer diferença entre o tratamento dispensado, nos cárceres, aos soldados do Exército Republicano Irlandês (IRA), do Exército de Libertação Nacional Irlandês (INLA) e a criminosos comuns. Em resposta, combatentes irlandeses encerrados nos blocos H da prisão de Maze, deflagram em 1º de março de 81 uma greve de fome. Suas reivindicações: não usar uniformes de presidiário; não realizar trabalhos forçados; liberdade de associação e organização de atividades culturais e educativas; direito a uma carta, uma visita e um pacote por semana; e que os dias de protesto não fossem descontados quando do cômputo do cumprimento da pena. Recusando-se a ser tratados como criminosos, defendiam, a um só tempo, sua dignidade pessoal e a legitimidade da luta pela libertação de seu país. A um custo inimaginavelmente alto - onze homens morreram de inanição após longa agonia de 63 dias - os grevistas conseguiram uma vitória moral, ao fazer com que os ingleses retrocedessem quanto ao regime carcerário poucos meses após o fim do movimento; e uma vitória política, ao frustrar os planos de Thatcher de expor os que lutavam pela liberdade da Irlanda como criminosos aos olhos do mundo. O funeral de Bobby Sands, o líder do movimento, foi assistido por mais de 100 mil pessoas.
Thatcher, insensível, fez ouvidos moucos aos apelos. Teria o Estadão, a Folha ou o Globo ou El Pais, The New York Times, Die Welt, Le Fígaro, Clarin, estampado em sua manchete principal acusando Thatcher de homicida? Evidentemente, não!
Em meio século, nada mudou na Turquia, onde os presos políticos continuam fazendo greve de fome, não pela liberdade, como Nazim Hikmet, mas para recuperar a dignidade. Nazim Hikmet, o grande poeta turco, a quem a escritora Charlotte Kan chamou de “o comunista romântico”. condenado a uma pena pesada, em um longo processo construído nos mínimos detalhes, estava preso em Bursa, fazia doze anos, quando começou uma greve de fome para recuperar a liberdade. E ainda teve forças suficientes para escrever o poema “O quinto dia de uma greve de fome”, dedicado a seus amigos franceses que lutavam por sua libertação. Acaso os editoriais da nossa imprensa acusaram os governantes turcos de perpetradores de um crime continuado? Nem pensar.
Na base militar de Guantanamo, aqueles que as autoridades norte-americanas chamam de “combatentes inimigos” fizeram, entre fevereiro de 2002 e fim de setembro de 2005, seis tentativas conhecidas - e talvez centenas ignoradas - de desafiar seus carcereiros do Pentágono com greves de fome. Alguém leu ou ouviu acusações a Obama de violador dos direitos humanos elementares por não ter cumprido a promessa de encerrar esse centro de tortura e humilhação?
Recentemente, a aviação norte-americana dizimou, no espaço de dias, famílias de cidadãos afegãos, a maioria mulheres e crianças. A mídia abriu espaço para o pedido de desculpas dos generais e nem um milímetro para acusá-los e a Washington de estar perpetrando uma política de terrorismo de Estado e de violação da Convenção de Genebra.
Passaportes britânicos de cidadãos israelenses de dupla nacionalidade foram utilizados pelo serviço secreto do Mossad para executar extrajudicialmente em Dubai o líder do Hamas, Mahmoud AL-Mabhouh. Por acaso, a mídia abriu suas colunas para acusar o governo Netanyhau de criminoso e fora-de-lei?
Na confrontação dos Estados Unidos e Cuba, ao largo de mais de meio século, milhares de cubanos foram vítimas de atos de terrorismo arquitetados em solo norte-americano com pleno conhecimento da Casa Branca, incluindo diplomatas assassinados no exterior. Quando Havana se dispôs a tomar medidas de inteligência para prevenir esses ataques, cinco de seus concidadãos foram presos e condenados, em processo totalmente viciado levado a cabo em Miami, a penas draconianas que chegaram a duas prisões perpétuas mais 15 anos para um deles. Jamais a mídia internacional e a nossa mídia trataram do assunto.
Os ataques virulentos a Cuba por parte da direita, das oligarquias, dos setores reacionários e dos segmentos conservadores e seus porta-vozes não são novidade. Não se conformam de a Revolução Cubana ter resistido sozinha, graças à firmeza de sua liderança e apoio valente de seu povo, à opressão e aos desígnios do Império. Nenhum outro governo da região a apoiou. Hoje diversos governos da região a apóiam. A solidariedade, simpatia e defesa da gente simples e dos progressistas em todo o mundo nunca faltou.
A visita de Lula a Havana coincidiu com a morte de Zapata. Nossa mídia rebaixou a assinatura de 10 acordos de cooperação entre os quais se destaca a modernização do porto de Mariel. No entanto, o criticou furiosamente pretendendo vinculá-lo ao desrespeito a direitos humanos. No fundo querem destruir sua imagem de grande líder nacional e internacional em proveito de seus interesses ideológicos permanentes e eleitorais de agora.
Lula soube se comportar como chefe de Estado. E pessoalmente foi leal aqueles que ao longo de décadas se constituiram numa referência de soberania, independência, auto-determinação mas também de dignidade, heroismo e solidariedade.
Max Altman é jornalista
Para quem é útil a morte do preso cubano?
A absoluta carência de mártires de que padece a contra-revolução cubana é proporcional à sua falta de escrúpulos. É difícil morrer em Cuba, não porque as expectativas de vida sejam de primeiro mundo - ninguém morre de fome, apesar da falta de recursos, ou de doenças curáveis -, mas porque impera a lei e a honra.
Por Enrique Ubieta, em Cuba Debate
Os mercenários cubanos podem ser presos e julgados seguindo leis vigentes - em nenhum país se pode violar leis (receber dinheiro e trabalhar com a embaixada de um país considerado como inimigo nos Estados Unidos, por exemplo, pode levar a severas sanções de privação de liberdade) -, mas eles sabem que em Cuba ninguém desaparece, ou é morto pela polícia.
Não existem "lugares obscuros" para interrogatórios "não convencionais" a presos-desaparecidos, como os de Guantánamo e Abu Ghraib. Além disso, o ser humano entrega sua vida por um ideal que priorize a felicidade de todos e não a sua própria felicidade.
Nas últimas horas, entretanto, algumas agências de notícias e governos se apressaram em condenar Cuba pela morte, na prisão, em 23 de fevereiro, do cubano Orlando Zapata Tamayo. Toda morte é dolorosa e lamentável. Mas o eco da mídia desta vez se tinge de entusiasmo: finalmente, parecem dizer, aparece um "herói". Por isso se impõe explicar brevemente, sem qualificações desnecessárias, quem era Zapata Tamayo.
Apesar de toda a maquiagem, se trata de um prisioneiro comum, que iniciou a sua atividade criminosa em 1988. Processado pelos delitos de "violação de domicílio" (1993), "lesões menos graves" (2000), "fraude" (2000), "lesão corporal e posse de faca" (2000: ferimentos e fratura do crânio do cidadão Leonardo Simon, com o uso de um machete), "alteração da ordem" e "desordem pública" (2002), entre outras causas em nada relacionadas à política, foi liberado sob fiança em 9 de março de 2003 e reincidiu no dia 20 do mesmo mês.
Considerando seus antecedentes e condição penal, desta vez, foi condenado a 3 anos de prisão, mas a sentença inicial foi ampliada de forma significativa no ano seguinte por sua conduta agressiva na prisão.
Na lista dos chamados presos políticos, elaborada pela manipulada e extinta Comissão de Direitos Humanos da ONU para condenar Cuba em 2003, não aparece seu nome - como afirmou, sem verificar as fontes e os fatos, a agência espanhola EFE -, apesar de sua última detenção coincidir com a mesma época da dos mercenários. Se tivesse existido uma intenção política prévia, não teria sido liberado onze dias antes.
De um lado, existia a contra-revolução ávida em mobilizar o maior número possível de supostos ou reais correligionários nas suas fileiras. Do outro, convencido das vantagens materiais que envolvia uma "militância" amamentada pelas embaixadas estrangeiras, Zapata Tamayo adotou o perfil "político" quando sua biografia penal já era extensa.
Nesse novo papel, ele foi estimulado algumas vezes pelos seus mentores políticos a iniciar greves de fome que minaram definitivamente seu organismo. A medicina cubana o acompanhou. Nas diferentes instituições hospitalares onde foi tratado há especialistas altamente qualificados - aos quais foram agregados os consultores de diferentes centros, que não pouparam recursos para seu tratamento. Ele recebeu alimentação intravenosa. A família foi informada de cada passo. Sua vida foi prolongada durante dias por respiração artificial. De tudo isto existem provas documentais.
Mas há perguntas sem respostas que não são médicas. Quem incentivou Zapata a manter uma atitude que era obviamente suicida e por quê? A quem convinha a sua morte? O desenlace fatal regozija intimamente os hipócritas "sofredores". Zapata era o candidato perfeito: um homem "dispensável" para os inimigos da Revolução, e facil de convencer para que persistisse em um esforço absurdo, de exigências impossíveis (televisão, cozinha e telefone celular pessoa dentro da cela), que nenhum dos verdadeiros líderes teve a coragem de manter.
Cada greve anterior dos instigadores havia sido anunciada como uma provável morte, mas os grevistas sempre desistiam antes que se produzissem incidentes de saúde irreversíveis. Instigado e encorajado a prosseguir até a morte - estes mercenários estavam esfregando as mãos com essa expectativa, apesar dos esforços não economizados dos médicos -, seu nome agora é exibido com cinismo como um troféu coletivo.
Como abutres, alguns meios de comunicação - os mercenários e a direita internacional -, estavam vagueando em torno do moribundo. Sua morte é um festim. Causa asco o espetáculo. Porque os que escrevem não se compadecem da morte de um ser humano - em um país sem mortes extra-judiciais -, mas a expõem quase alegremente, e a utilizam com premeditados fins políticos. Zapata Tamayo foi manipulado e de certa forma conduzido à auto-destruição premeditadamente, para satisfazer a necessidades políticas alheias.
Acaso isto não é uma acusação contra aqueles que agora se apropriam de sua "causa"? Este caso é um resultado direto da política assassina contra Cuba, que encoraja a emigração ilegal, o desacato e a violação das lei e da ordem estabelecida. Aí está a única causa desta morte indesejável.
Mas por que há governos que se unem à campanha difamatória, se sabem - porque o sabem -, que em Cuba não se executa, nem se tortura, nem se empregam métodos extrajudiciais? Em qualquer país europeu podem ser encontrados casos - às vezes francas violações de princípios éticos - não tão bem atendidos quanto o nosso. Alguns, como aqueles irlandeses que lutaram por sua independência na década de oitenta, morreram em meio à total indiferença dos políticos.
Por que há governantes que descartam a denúncia explícita do injusto confinamento sofrido por cinco cubanos nos Estados Unidos por lutarem contra o terrorismo, e se apressam em condenar Cuba, quando a pressão da mídia põe em perigo sua imagem política? Cuba já disse uma vez: podemos enviar todos os mercenários e suas famílias, mas nos devolvam nossos heróis. Nunca será possível usar chantagem política contra a Revolução Cubana.
Esperamos que os adversários imperiais saibam que nossa pátria não será jamais intimidada, curvada, nem apartada de seu heróico e digno caminho, pelas agressões, a mentira e a infâmia.
Fonte: Cuba Debate