domingo, 4 de abril de 2010

Governo brasileiro não se alinha à hipócrita campanha anticubana

Por Hideyo Saito*

17/03/2010

Em vez de pressionar para que o governo brasileiro se some à atual campanha anticubana, como sempre capitaneada pelas agências oligopólicas de notícias, as boas almas que se manifestaram pela democratização de Cuba têm o dever moral de exigir o fim da política de agressão dos EUA contra Cuba. Do contrário, sua posição, apresentada como democrática, se revelará escandalosamente desonesta e hipócrita. Cessada a agressão e desanuviado o ambiente internacional, o próprio povo cubano poderá decidir, sem pressões externas, como será o seu modelo de democracia, conforme parecem indicar os debates já em curso no país, com grande participação popular.

Os chamados dissidentes cubanos receberam forte apoio da oposição brasileira e da mídia dominante local, em seu empenho para constranger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a se manifestar publicamente contra o governo de Havana. Na famosa entrevista à Associated Press, usada como pretexto para a pancadaria, o presidente brasileiro trouxe à baila um episódio de morte em uma greve de fome coletiva de prisioneiros do Exército Republicano Irlandês (IRA), durante o governo de Margareth Thatcher, em março de 1981. “Eu vejo muita gente que hoje critica o governo cubano por causa da morte, [e que] não falava nada da morte do IRA”, cobrou Lula. Esse trecho foi convenientemente omitido pela mídia dominante, para deixar o caminho livre para a atual campanha.

Na compacta barreira de desinformação que se orquestrou, as palavras-chave usadas têm sido: luta pela liberdade, dissidentes heróicos, masmorras cubanas, presos de consciência, tirania insensível, cumplicidade de Lula. Os atores brasileiros do drama (jornalistas locais, enviados especiais, colunistas, comentaristas convidados, políticos) repetem em uníssono o noticiário difundido por agências oligopólicas de notícias, como a citada AP, a France Press e a Efe, e por órgãos como a Voz da América, do governo dos Estados Unidos. No jornal O Estado de S. Paulo, a sanha tem sido tamanha, que até colunista de assuntos econômicos, caso de Rolf Kuntz, e articulista convidado, como Eugenio Bucci, reforçaram o festival de acusações em termos praticamente idênticos aos do famoso extremista de direita Carlos Alberto Montaner. O Senado brasileiro aprovou moção de solidariedade aos “presos políticos”, em que também não faltaram críticas ao presidente Lula.

Nenhuma dessas boas almas, contudo, se preocupou em “checar” a notícia original ou qualquer de seus pormenores, cotejando-os com dados de outras fontes, ainda que fosse para complementar alguma informação. Se alguém o fizesse, poderia ter sabido que nenhum dos dois grevistas (Orlando Zapata Tamayo, que faleceu em 23 de fevereiro, e Guillermo Fariñas Hernández, que estava em estado crítico em um hospital cubano no final da segunda semana de março) foi condenado por atividades políticas, mas por delitos como furto, invasão de domicílio e agressões físicas, conforme registros judiciais cubanos. Ficaria informado também de que os presos por atividades políticas, cuja libertação é reivindicada por Fariñas, são os remanescentes do processo de 2003, quando 75 opositores foram condenados por receberem dinheiro do Escritório de Representação dos Estados Unidos em Havana para participar de atividades contra o governo revolucionário (e não, como diz a campanha-padrão contra Cuba, por se oporem ao regime).

Poderia confirmar ainda que o julgamento dos 75 foi realizado em tribunais regulares, em sessões públicas, com base em leis pré-existentes e assegurado o pleno direito de defesa e de apelação. O governo cubano divulgou, na ocasião, provas documentais sobre a relação que os acusados mantinham com representantes do governo estadunidense. É uma relação passível de incriminação penal em qualquer país do mundo. Em todo caso, cerca de 20 deles foram, desde então, libertados pelo governo por problema de saúde, obedecendo às 95 regras de tratamento carcerário humanitário, estabelecidas pela ONU.

Preso duas vezes por agressão

De acordo com a ficha corrida de Guillermo Fariñas Hernández, em 1995 ele espancou uma mulher na instituição de saúde onde trabalhava como psicólogo, causando-lhe ferimentos múltiplos no rosto e nos braços. Sofreu pena de três anos de prisão sem internamento (por sua primariedade), além de multa de 600 pesos. Em 2002, atacou um ancião com um bastão na cidade de Santa Clara, onde reside. A vítima teve de ser operada para extirpação do baçoe o agressor foi condenado a 5 anos e 10 meses de prisão (Causa 569/2002, do Tribunal Popular Provincial de Villa Clara). Por essa época, ele começou a utilizar o recurso da greve de fome para obter vantagens, como televisor em sua cela, tendo dessa forma atraído a atenção dos grupos contrarrevolucionários, aos quais aderiu em seguida. Em dezembro de 2003, devido à sua saúde fragilizada pela sucessão de greves, recebeu uma licença extra-penal com base no código cubano. Fora da cadeia, passou a colaborar com a Rádio Martí e a receber dinheiro regularmente da já mencionada representação dos EUA em Havana. Em 2006, voltou a se declarar em greve de fome, para reivindicar acesso domiciliar à internet.

Na atual greve, Fariñas Hernández recusou toda oferta oficial para tratamento de sua saúde, obstinando-se em dizer que irá até o fim. Da mesma forma, rejeitou oferta de asilo na Espanha, feita com a anuência de Havana. Por isso, a intervenção médica cubana só pôde acontecer quando o manifestante entrou em estado de choque, na noite de quinta-feira, 11 de março, em estado gravíssimo, como no caso de Orlando Zapata Tamayo, que viria a falecer. Eis o que divulgaram as agências France Press, Efe e Reuters sobre esse momento, conforme publicado no Estado de S. Paulo : “Momentos antes de Fariñas desmaiar, um grupo de médicos do sistema de saúde pública de Cuba visitou o dissidente e pediu que ele concordasse em ir, de ambulância, até uma clínica para que fizesse um check-up profissional. O opositor, porém, agradeceu ‘o profissionalismo e a humanidade’ dos médicos, mas insistiu em fazer os exames em sua casa. Os médicos aceitaram as condições e coletaram amostras no local, mas saíram antes de Fariñas desmaiar”.

As vantagens de ser dissidente cubano

Orlando Zapata Tamayo também jamais havia sido seguidamente condenado por atividade política, embora esteja sendo apresentado agora como mártir da luta pela liberdade. Ele só começou a adotar um “perfil político” quando percebeu que, na situação particularíssima de Cuba, isso poderia ser vantajoso por causa do farto dinheiro distribuído pelos Estados Unidos aos que se declaram dissidentes no país. Antes havia cumprido pena por “violação de domicílio” (1993), “furto e agressão com arma branca” (2000) e “perturbação da ordem pública” (2002). Em 2003, chegou a ser solto, mas voltou à cadeia por reincidência. Por isso, não figurou na relação de “prisioneiros políticos” elaborada em 2003 pela antiga Comissão de Direitos Humanos da ONU, com a intenção de condenar Cuba por violação aos direitos humanos.

Aquela mesma boa alma curiosa poderia igualmente notar, na campanha em curso, que apesar da insistência na denúncia de que os “presos de consciência” cubanos foram encarcerados simplesmente por serem contra o governo, o noticiário correspondente é abundante em declarações de opositores que vivem em Cuba, como Manuel Cuesta Morúa, René Gómez Manzano, Elizárdo Sánchez, Osvaldo Payá Sardinãs e outros. Eles são contra o governo, dão entrevistas para a imprensa internacional recheadas de críticas, mas não estão presos! Há algo errado nessa denúncia, portanto. O próprio Fariñas, aliás, estava em casa antes de ser internado e lá recebia diariamente jornalistas estrangeiros.

Anistia Internacional: as situações em Cuba, nos EUA e na Europa

Sobre o suposto caráter ditatorial do regime vigente em Cuba, é interessante ainda comparar o que diz o relatório “O Estado dos Direitos Humanos no Mundo 2008”, da Anistia Internacional (entidade nada amistosa com o governo cubano), sobre a situação naquele país, nos Estados Unidos e na Europa. O documento acusa o governo cubano de restringir as liberdades de expressão, de associação e de circulação, fala nos “presos de consciência” remanescentes do grupo dos 75 e registra incidentes em que teria havido “fustigamento e intimidação” de dissidentes. Mas não menciona um só caso de sequestro ou desaparecimento de opositores, nem tortura ou morte de prisioneiros em dependências carcerárias. Da mesma forma, não fala em repressão policial, nem em execução extrajudicial em Cuba.

Esse mesmo documento da Anistia Internacional, em contrapartida, denuncia os EUA por prática sistemática da tortura conhecida como waterboarding (simulação de asfixia), detenções e interrogatórios secretos e desaparecimento de suspeitos. Acusa ainda Washington de manter milhares de detidos, muitos “há mais de seis anos”, em Guantánamo, em Bagram e no Iraque, sem acusação nem julgamento. Sobre os governos europeus, o relatório da Anistia declara: “Em 2007 surgiram novas evidências de que diversos Estados-membros da União Europeia foram coniventes com a CIA no sequestro, na detenção secreta e na transferência ilegal de prisioneiros para países em que foram torturados ou sofreram maus tratos”.

Ora, a atual campanha contra o governo cubano se origina de forças políticas que admiram as democracias vigentes na União Europeia e nos Estados Unidos, considerando-as modelos a serem copiados por todo o mundo (inclusive Cuba). Deveriam, portanto, preocupar-se também com o estado dessa própria democracia e dos direitos humanos nesses países, em vez de gastarem todo o gás em sua fúria contra Cuba. Que tal uma campanhazinha para combater a pouca vergonha denunciada pela Anistia Internacional nos EUA e na União Europeia?

As múltiplas e insistentes agressões contra Cuba

O governo brasileiro foi irrepreensível ao se recusar a figurar nessa (má) companhia, apesar das pressões. A esclarecedora declaração do chanceler Celso Amorim sobre a posição brasileira ficou quase perdida em meio à histeria oposicionista. “Uma coisa é defender a democracia, os direitos humanos e à livre expressão, como fazemos. Outra coisa é sair dando apoio a tudo quanto é dissidente no mundo. Quando você tem de falar alguma coisa [a um governo estrangeiro], você fala de outra forma, discretamente, não pela mídia”, declarou. O chanceler brasileiro disse, em outras palavras, o que Lula já havia declarado em sua primeira visita a Cuba como presidente, em setembro de 2003: que não se somaria às pressões permanentes de setores direitistas contra o governo de Havana, falando publicamente sobre assuntos internos de um país amigo.

Mas a frase mais significativa de Amorim, nessa questão, foi a seguinte: “Se alguém está interessado em uma evolução política em Cuba, eu tenho a receita rápida: acabe com o embargo. Isso vai trazer grandes mudanças em Cuba”. Ele se referia ao bloqueio unilateral que os Estados Unidos mantêm contra o país desde 1962, como parte de uma ampla política de hostilidade, que inclui ainda a transmissão, a território cubano, de propaganda contra a revolução cubana através da Rádio e TV Martí (ao arrepio do código da União Internacional de Telecomunicações), o fornecimento de recursos financeiros à oposição interna, o incentivo à emigração de cubanos para os EUA e outras medidas intervencionistas. O próprio bloqueio não se resume a impedir Cuba de comprar e vender no mercado estadunidense. Compreende ainda a proibição de comerciar com filiais de companhias estadunidenses no mundo todo, assim como com empresas que tenham capital acionário ou usem tecnologia e componentes daquele país em sua produção. Significa igualmente o fechamento do mercado dos EUA a qualquer parceiro comercial de Cuba, de qualquer país, inclusive a bancos e a navios mercantes. Por força dessa mesma política, aplicada apesar da condenação de praticamente todos os países representados na ONU, cientistas cubanos costumam ser excluídos de congressos internacionais e de pesquisas conjuntas e o próprio país não consegue se filiar a algumas organizações internacionais.

Essa política, por mais inacreditável que pareça, é respaldada pela lei Helms-Burton, aprovada pelo Congresso dos EUA em 1996. Arrogantemente intitulada Lei para a Liberdade e a Solidariedade Democrática em Cuba, ela autoriza o presidente dos EUA a “proporcionar assistência e a oferecer todo tipo de apoio a indivíduos e organizações não-governamentais independentes para apoiar esforços com o objetivo de construir uma democracia em Cuba”. Estabelece ainda como devem ser as eleições sob um governo “democrático e independente”, chegando a vetar a participação dos atuais líderes cubanos, especialmente Fidel e Raúl Castro! Os tão ardorosos defensores da democracia em Cuba, que se revelaram de corpo inteiro nessa campanha, têm o dever moral de denunciar essa política imperialista de agressão e exigir o seu fim, como tem feito o governo brasileiro. Do contrário, sua posição, que apresentam como democrática, se mostrará escandalosamente desonesta e hipócrita.

Cessada a agressão e desanuviado o ambiente internacional, o próprio povo cubano poderá decidir, sem pressões externas, como será o seu modelo de democracia, conforme parecem indicar os debates já em curso no país, com grande participação popular.

* Hideyo Saito é jornalista
Fonte: Carta Maior




quinta-feira, 1 de abril de 2010

Golpe do 1º de abril

SOUCUBA

Há 46 anos o Brasil acordava com um Golpe de Estado. Era um golpe militar, mas não apenas militar. Setores importantes da sociedade civil se uniram aos militares e à embaixada americana para preparar e organizar o golpe contra o governo civil e democrático do Presidente João Goulart.

Os golpistas tiveram o apoio explícito de importantes setores da política nacional (sobretudo da conservadora UDN), de setores da Igreja Católica, dos grandes jornais brasileiros e de uma importante parcela da classe média que dias antes do golpe reuniu alguns milhares de pessoas nas ruas do Rio de Janeiro a clamar pela derrubada da democracia.

Veio a ditadura com seu séquito de mazelas: as cassações, a extinção dos partidos políticos, a censura, as prisões arbitrárias, as intervenções nos sindicatos, os assassinatos e as torturas contra todos aqueles que ousavam desafiar a ilegal ordem estabelecida.

Graças à luta do povo a ditadura foi progressivamente vencida e em 1979 o país dava seus primeiros sinais de reconquista da democracia com a Lei da Anistia. Em 1984 com o grande movimento das Diretas Já (que a Rede Globo escondia) e a eleição de Tancredo Neves o regime militar foi derrotado e em 1988 foi definitivamente sepultado quando, através de uma Constituinte, foi escrita uma Constituição democrática para o país.

Muitos dos que foram perseguidos pela ditadura em nosso país encontraram em Cuba e no seu povo um porto seguro para continuar suas vidas e para retomar a luta pela democracia no Brasil.

Hoje, contudo, muitos dos que estiveram ao lado da ditadura que matava e torturava pessoas indefesas - até mesmo crianças – exigem telefone, televisão e fogão nas celas dos presos comuns de Cuba, país que jamais aceitou a tortura como método de interrogatório ou meio de punição.

Com que moral os deputados do DEM e o jornal da “ditabranda” podem exigir direitos humanos de quem quer seja se ajudaram a pisoteá-los em seu próprio país?

Drª Aleida Guevara, filha do Che, na Bahia




Por Maisa Paranhos

Com firmeza e sem perder a ternura, Aleida Guevara, médica, filha do revolucionário argentino/cubano, Ernesto Che Guevara, veio ao Brasil, convidada para a inauguração de um hospital em Sergipe que leva o nome de seu pai. Aleida discursou para uma platéia atenta e receptiva que lotou o auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA em Salvador, BA. Telões tiveram que ser adicionados em dois andares.

A presença de estudantes universitários e de Ensino Médio, militantes, jornalistas, professores, advogados, educadores e cineastas marcou o encontro onde a Drª Aleida, cujo tema inicial da palestra, foi a integração latino-americana, transitou por variados pontos referentes à Cuba. Acostumados a informações peneiradas pela grande mídia, o público sorvia as palavras da filha do revolucionário e por vezes, se emocionava, e ora gargalhava diante daquela que, carinhosa e francamente, desenvolvia cada uma das questões colocadas por gente ávida de informações.

Uma Cuba, diferente, foi surgindo daquela que estamos acostumados a ver na grande imprensa e aspectos da Revolução Cubana foram esclarecidos, tal como as eleições em Cuba, por muitos, ignoradas. Atentou Aleida para a importância da integração e autonomia latino-americanas e para as nada inocentes bases militares implantadas pelos EUA na Colômbia.  Chamou a atenção para a importância do principal recurso natural para a humanidade e sem o qual, o Homem não sobrevive, a água, objeto farejado, além do petróleo, pelos EUA na Venezuela.

Ressaltou a importância da juventude em qualquer processo de transformação, pois livres de condicionamentos, os jovens são portadores de um honesto espírito crítico. Esclareceu sobre o embargo econômico sistemático que os EUA fazem há cinqüenta e um anos à Ilha, trazendo sérios danos que atentam aos direitos humanos da população cubana.
Respondeu com tranqüilidade a respeito das greves de fome e alertou os presentes para uma leitura apurada sobre tudo o que se diz e se escreve a respeito de Cuba .

Relatando a presença de médicos cubanos em vários países do mundo, permitiu aos presentes terem uma dimensão da cultura de solidariedade, fruto da Revolução.

Enfim, Salvador teve a oportunidade de, com o exemplo vivo da filha do Che, a Drª Aleida, resgatar valores humanos que apontam ser possível um mundo melhor.

Publicado originalmente no jornal A Tarde, de Salvador

Orlando Zapata Tamayo, Cuba e os Meios

Nesses cinco presos a imprensa não fala. Por quê?




por Moacir Pereira da Silva

Se você é dos medianamente inteligentes e informados, já deve haver percebido que, quando se trata de Cuba, é quase impossível, em qualquer parte do mundo, aceder a notícias verazes e não manipuladas, e que tudo o que aparece nos grandes meios de comunicação responde a uma linha editorial precisa, ideologicamente orientada a favor dos interesses de classe dos acionistas das corporações que atualmente controlam as principais agências informativas do mundo. Hoje o cidadão está obrigado – se não quer ser enganado e estar desinformado – a investigar por conta própria a autenticidade das informações que circulam, suas orientações político-ideológicas, e buscar alternativas informativas alheias aos meios tradicionais que nos possibilitem ao menos confrontar versões distintas e tirar nossas próprias conclusões.

O tema que nos ocupa é o caso do prisioneiro cubano falecido recentemente produto de uma greve de fome, que tem saído diariamente em quase todos os grandes meios de comunicação ocidentais como mais um prisioneiro político vítima do regime. Uma enorme campanha mediática foi ativada contra Cuba – nada novo! –, enquanto os problemas que afetam os interesses dessa classe dominante e do imperialismo são maliciosamente silenciados: falo das guerras no Iraque, Afeganistão, Paquistão; da crise do sistema capitalista global (alimentícia, energética, climática, social, econômica); do fracasso da Cúpula de Copenhague sobre a Mudança Climática e o incremento do nível de violência, pobreza e desemprego no mundo, para apenas citar alguns. Para os medianamente informados, só o fato de que um tema específico ganhe espaço dentro do complexo processo editorial desses grandes meios, cujos donos são as mesmas ricas e influentes famílias “tradicionais”, seria suficiente para intuir que lhes são favoráveis, ou passam por um processo de reciclagem e são acomodados a seus interesses quando não o são.

Mas se você é ainda dos que acreditam nos grandes meios, na sua imparcialidade e profissionalismo, e continua vendo Cuba como o país-violador-dos-direitos-humanos por excelência, vejamos os fatos.

O nome do cubano recentemente falecido (assassinado pelo governo dos Estados Unidos, como ficará demonstrado com os argumentos adiante) era Orlando Zapata Tamayo. Tratava-se de um indivíduo preso por crimes comuns que dentro da cadeia começou a relacionar-se com elementos contra-revolucionários (mercenários que recebem dinheiro de uma potência estrangeira para subverter a ordem interna do país) e foi convencido por eles a iniciar uma greve de fome exigindo televisão e telefone em sua cela, qual fosse um verdadeiro prisioneiro político. Permaneceu mais de 80 dias sem ingerir alimento voluntariamente – desde dezembro de 2009 –, apesar das insistências de familiares, médicos e psicólogos que o visitavam frequentemente, e encontrou a morte em fevereiro do presente ano, depois de passar pelas Unidades de Cuidados Intensivos dos melhores hospitais da Ilha.

As principais manchetes afirmavam: “Morre mais um prisioneiro político em Cuba”; “Cismaram com ele porque era negro”; “Preso político morre sem receber cuidados médicos”. Uma gigantesca campanha desatou-se e o assunto ganhou capa nos “mais importantes” meios de comunicação do ocidente. Por quê? Por que a morte de um preso em Cuba invade os canais de televisão, revistas e jornais do mundo? Por que é tão importante falar diariamente sobre Cuba – se existem tantos outros problemas de vital urgência para a humanidade – e reiterar as impressões negativas sobre essa “odiosa ilha caribenha”, que insiste em ser diferente?

Desde os Pais Fundadores, já falava-se de uma anexação natural de Cuba ao território das Treze Colônias. O mesmo Thomas Jefferson, em escritos pouco conhecidos, pelo ano 1805, defendia o justo e divino direito dessa nação de possuir essa cobiçada ilha, tão importante para a consolidação desse grandioso país como potência mundial. E assim foi. Empurrados pelo Destino Manifesto e a Doutrina Monroe, o pujante império nascente inaugurou-se com a intervenção na guerra hispano-cubana em 1898, e por meio da força conseguiu convertê-la em colônia com a imposição da Emenda Platt à sua novel constituição, que lhe concedia o privilégio legal de intervir militarmente sempre que achasse necessário, montar bases militares, etc. Até que em 1959 os Rebeldes da Serra Maestra liderados por Fidel Castro venceram a guerra contra a ditadura bastiniana sustentada pelos yankees, e culminou o processo de independência iniciado em 1868 com o Grito de Yara, dando fim a um período de mais de 60 anos como possessão colonial do Estados Unidos, que jamais aceitaram que seu pátio traseiro por excelência – ilha de diversão onde vinham a esbanjar em cassinos e praias em companhia de formosas prostituas crioulas – se convertesse numa nação independente e soberana.

Por isso, no dia 17 de março de 1960 – 13 meses antes da declaração do caráter socialista da Revolução de 59, que só aconteceu em abril de 1961 quando a invasão mercenária de Girón –, há exatamente 50 anos, o presidente Dwigth Eisenhower assinou uma Ordem Executiva conhecida como “Programa de Ação Encoberta contra o Regime de Castro”, que, entre outras muitas coisas, ordenava a criação de uma organização integrada pelos remanescentes da ditadura bastiniana exilados no Estados Unidos para dar cobertura às atividades da CIA contra a recém triunfante Revolução, que tanto afetava os interesses econômicos e estratégicos dessa nação; paralelamente colocava à disposição desses planos todo o aparelho militar e de espionagem norte-americano com o fim imediato de organizar uma força para-militar que chegasse clandestinamente à Cuba, com o propósito de treinar e dirigir grupos terroristas. Documentos desclassificados pelo Arquivo de Segurança Nacional do Estados Unidos revelam que tal ordem incluía iniciar uma ofensiva propagandística internacional e criar no interior da Ilha grupos clandestinos que lhes subministrasse informação de inteligência. Era uma verdadeira declaração unilateral de guerra, como posteriormente reconheceu em suas memórias o general Eisenhower: “No dia 17 de março de 1960 ordenei à Agência Central de Inteligência que começasse a organizar o treinamento dos exilados cubanos, principalmente na Guatemala (...) Outra idéia foi que começássemos a construir uma força anti-castrista em Cuba. Alguns pensaram em colocar a Ilha em quarentena (ou seja, bloqueio) argumentando que se a economia decaía, os mesmos cubanos derrotariam Castro”.

Meio século depois, apesar dos exorbitantes recursos e das variadas estratégias derivadas de dita Ordem, a ilha continua impacientemente resistindo soberana. Nem a invasão mercenária por Playa Girón, a Operação Mangosta, as guerras biológicas e a imposição unilateral de um Bloqueio Econômico, Comercial, Financeiro e Mediático contra a Ilha; nem a criação de uma Rádio na ilha Swan – ao sul de Cuba – nos anos 60 para transmitir propaganda subversiva dentro da Ilha e posteriormente o estabelecimento das mal chamadas Rádio e TV Martí – controladas pela máfia anti-cubana de Miami (da qual logo falaremos) –, com idêntico propósito; nem o estímulo ao surgimento de infinitos grupos terroristas nesse território (Fundação Cubano-americana, Alpha 66, Hermanos al Rescate...) e o financiamento direto a essas organizações e outras surgidas dentro de Cuba, como os famosos “dissidentes” – que atuam segundo as ordens recebidas diretamente da Oficina de Interesses do Estados Unidos em Havana –, foram suficientes para reconquistar Cuba, ainda que hajam acarretado milhares de mortes, incalculável sofrimento, severas limitações econômicas e a construção de uma Cuba no imaginário coletivo internacional que dista abismalmente da realidade.

Outros dois elementos fizeram com que a problemática cubana se tornasse ainda mais complexa com o passar do tempo: a Ilha converteu-se, não só em exemplo de independência e progresso humano num continente pobre que havia sido declarado “dos Americanos”, más também em exemplo de sociedade alternativa ao capitalismo, avançada e de solidariedade, que com soberbia havia se declarado Socialista sob os próprios narizes do império; e a comunidade cubana de exilados e os grupos terroristas criados para realizarem o trabalho sujo de suas agências de inteligência alcançaram um poder incontrolável.

Essa comunidade cubana exilada – principalmente em Miami – pela Revolução triunfante de 59 (entenda-se a burguesia recalcitrante da Ilha, gângsteres e máfias ligadas a cassinos, armas e drogas, e os que participavam diretamente dos diferentes aparelhos repressivos do regime bastiniano fundamentalmente) e os grupos terroristas surgidos nesse território foram acumulando cada vez mais poder dentro desse país, até converter-se em parte integrante do sistema político e militar do Estados Unidos e em reserva por antonomásia de mercenários para os serviços sujos e encobertos da CIA em todo o continente: Operação Condor, golpe de estado no Chile, Venezuela, intervenção militar na República Dominicana... Essa máfia anti-cubana, que atualmente conta com vários congressistas federais e um poderoso lobby político, também recebe milhões de dólares de financiamento direto do governo do Estados Unidos, para pagar-lhes os favores e estimular a implantação de uma “democracia pluralista” em Cuba. Dessa forma, a contra-revolução em Cuba se convertia num verdadeiro negócio. Só para o ano 2010, o Congresso do Estados Unidos aprovou a soma de 20 milhões de dólares para financiar a tão almejada transição de regime em Cuba através da USAID, sob protesto dessa máfia que exige pelo menos 40. Ninguém quer ficar de fora da festa patrocinada com o dinheiro do contribuinte estadunidense, nem mesmo os gusanos de dentro da ilha! São esses elementos mafiosos os que realmente determinam a política exterior dos Estados Unidos da América em relação à Ilha. Cada vez que os diferentes presidentes de turno na Casa Branca tentaram ensaiar uma aproximação a Cuba, aparece a poderosa máfia anti-cubana, monta um pretexto e começa uma grande campanha mediática internacional de descrédito para exercer pressão e justificar a permanência absurda dessa política genocida, que anualmente é condenada pela Assembléia Geral da ONU.

Tudo se mistura e faz crescer o bolo da complexidade para entender o que há de errado com Cuba e porque a oligarquia ocidental tanto a ataca: os donos de ontem, rancorosos pelo que perderam, ainda sonham com voltar à paradisíaca Ilha e ocupar suas antigas propriedades; nem a poderosa máfia anti-cubana, nem os mercenários de dentro da Ilha querem deixar de receber tal financiamento milionário por parte do governo imperial; cada candidato ao trono deve agradar essa máfia anti-cubana, mostrando ser linha dura frente ao tema Cuba, se deseja o voto transcendental da Flórida para ocupar a Casa Branca; e em definitiva, Cuba Socialista é o exemplo mais maligno para o sistema-mundo capitalista globalizado atual.

A recente campanha mediática acerca do preso falecido só faz parte de toda essa estratégia montada há 50 anos para estimular a contra-revolução, sobre dimensionar e distorcer os fatos e a realidade da Ilha, usando toda a maquinaria imperial para desacreditar, isolar e destruir o malévolo exemplo de Cuba, e assim reconquistá-la.

Quem não lembra o caso de Armando Valladares, um suposto prisioneiro de consciência da década de 80, que foi fabricado para o mundo como um “poeta paralítico” perseguido político pelo regime comunista da Ilha. Montaram um verdadeiro show em todos os grandes meios, houve protesto dos intelectuais e governos do mundo, etc, blá, blá; veio inclusive Regis Debray enviado pelo presidente francês Chirac para pedir sua liberação. Tudo serviu de pretexto para a condenação de Cuba como violadora dos Direitos Humanos. Depois o governo cubano divulgou os vídeos do mercenário (por isso havia sido preso) realizando exercícios físicos escondido em sua cela, subindo a cama, caminhando, e descobriram que o livro de sua alegada autoria (Desde mi silla de rueda) havia sido elaborado pela CIA. Logo esse lamentável personagem ocupou cargos na Comissão de Direitos Humanos de Genebra em nome do Estados Unidos e recebeu vários prêmios de diferentes organizações.

Agora o que está de moda são as Madres de Blanco, organização formada por algumas poucas mulheres – supostas mães e esposas de supostos prisioneiros políticos em Cuba –, que vira e mexe fazem pequenas marchas vestidas de branco pelas ruas de Havana (acompanhadas sempre por uma multidão de defensores do processo revolucionário, que não suportam calados vê-las passar, pois sabem que embolsam boa soma de dólares “doados” pelo governo que há mais de 100 anos tenta dominar seu país) e recebem uma ampla repercussão em todos os meios de comunicação do ocidente. “Coincidentemente” incrementaram suas marchas logo da morte de Orlando Tamayo, apesar de que já esteja demonstrado, através de vídeos, documentos e conversas telefônicas, seus vínculos com a Oficina de Interesses dos Estados Unidos em Havana e a máfia anti-cubana de Miami; a quantidade de dinheiro que recebem mensalmente e de quem o recebem: nada mais e nada menos que do conhecido terrorista cubano-americano Santiago Alvarez Fernandez Madriñá . Quem fala disso? Essa é a verdadeira essência da “oposição” em Cuba: mercenários organizados, financiados e guiados pelo governo do Estados Unidos e pela máfia apátrida de Miami.

Orlando Tamayo foi mais outro cubano utilizado para os fins políticos e estratégicos imperiais e da máfia, que não hesitaram em deixá-lo se consumir. Todas as notícias suscitadas por tal episódio são caluniosas e falsas, como ficou comprovado com a recente divulgação dos vídeos das reuniões entre sua mãe e os médicos e especialistas cubanos que tentavam salvar sua vida.

Cuba não necessita corroborar com palavras seu compromisso com a vida e com a verdade. A história real e suas ações são mais que suficientes para ratificar sua postura ética consequente e sua lealdada para com a vida. Em Cuba revolucionária nunca houve uma morte extrajudicial e nunca se torturou um prisioneiro, nem mesmo durante a guerra. Todos os prisioneiros, desde a Serra Maestra, receberam trato digno e inclusive atenção por parte dos médicos guerrilheiros. Os prisioneiros da brigada 2506, formada por mercenários treinados pelo Estados Unidos para a fracassada invasão por Bahia dos Porcos em 61, foram liberados pelo governo cubano a troco de medicamentos. São sólidas e variadas as missões médicas cubanas que chegam a diferentes partes do mundo para curar e salvar vidas. Que provem com elementos concretos a falsidade desses argumentos!

Base americana em Guantânamo (Cuba). Prisioneiros tratados como animais.

 
O foco da campanha atual contra Cuba é curiosamente a Espanha (comandada pelo jornal El País – que pertence ao grupo empresarial Prisa) e Miami (pelo Novo Herald), ambos matrizes de informação para quase todos os grandes meios latinoamericanos. O país ibérico ocupa a presidência temporal da União Européia e seu presidente, Zapatero, era contrário à política de Posição Comum adotada por essa organização desde 1996 (mesmo ano da aprovação da Lei Helms-Burton pelo congresso norte-americano), que a condena por violar Direitos Humanos e se alinha à política exterior estadunidense para Cuba, qual piões imperiais. Não deu outra. Montaram o pretexto, veio a avalancha mediática e aprovou-se a prevalência da Posição Comum européia e também uma declaração de condenação à Ilha. Meses atrás, o governo imperial havia colocado Cuba numa lista de países que estimulam o terrorismo.

Com que moral e crédito a União Européia e o Estados Unidos pensam condenar Cuba? Que nível de dissociação é essa? De quê Direitos Humanos se fala tanto?

O jornal El País, por exemplo, recebe 6 milhões de euros anuais só de anúncios relacionados à prostituição. Na União Européia atualmente 17 milhões de crianças vivem na indigência, 23 milhões de seres humanos sobram desempregados e 80 milhões estão na linha da pobreza. Em pelo menos 20 dos países que a integram, grandes empresas continuam lucrando com a venda ilegal de instrumentos de tortura para os corpos policiais do mundo. No Estados Unidos, mais de 50 milhões de pessoas não têm acesso à saúde, 11 milhões são indocumentados, e é esse o país com a maior população penal do mundo. Abundam em ambos os grupos neofascistas e as manifestações de violência e xenofobia contra os imigrantes.

Mais de 2000 cubanos morreram e uma cifra superior a 3000 ficaram mutilados como consequência das ações terroristas desses grupos mafiosos de Miami e do governo imperial contra Cuba. Cinco cubanos estão presos no Estados Unidos desde 1998 pelo “crime” de haverem se infiltrado nessas organizações terroristas e tentado evitar atentados contra seu país financiados cinicamente pelo governo norte-americano. Por que o governo imperial os mantém presos depois de 11 anos, como verdadeiros prisioneiros políticos? Quê moral tem um país que ampara e financia a essas organizações terroristas e a conotados terroristas em seu território, como Orlando Boch e Posada Carriles, que passeiam livremente por Miami, apesar de haverem sido os autores intelectuais da explosão de um avião de Cubana de Aviação em pleno vôo em 1976, que matou a mais de 70 pessoas?

Mais de um milhão de iraquianos já morreram depois da invasão ilegítima das tropas da OTAN (Estados Unidos e Europa) em 2003 a esse país. Quem os vai condenar por isso, ou pelas torturas descobertas em Abu Ghraib e Guantánamo a pessoas inocentes? Quem condenou a Europa por haver cediço seu território para os vôos secretos da CIA com prisioneiros que mais tarde seriam torturados pelas forças imperiais?

Quem condenou o Estados Unidos por haver promovido os golpes militares em todos os países latinoamericanos, que tantas mortes, torturados e desaparecidos deixaram?

Quem condena o Estados Unidos e a Europa por sustentarem um sistema que mantém a mais de 1 200 000 000 de pessoas passando fome em diferentes partes do mundo e está provocando a destruição das condições naturais que permitem a vida de todos os seres humanos no planeta?

Não se deixem enganar nobres leitores. Há muitas coisas por detrás de uma manchete...

ORGULHO DE SER BRASILEIRO – A política externa do governo Lula



Geraldo Galindo (*)

Recentemente acompanhei de perto dois acontecimentos importantes na política brasileira. Se referem às posições do governo Brasileiro em relação a Cuba e a Irã/Israel. Confesso que nunca tinha sentido antes orgulho de ser bem representado por um governo. Nada a ver com a pieguice do patriotismo vulgar, com o ufanismo brega ou o nacionalismo xenófobo.

Semana passada ouvi num debate o palestrante dizer que o governo Lula é uma continuidade de FHC. Fosse isso mesmo, qual seria a razão da artilharia pesada contra o presidente vinda da turma do PSDB/Demos e da mídia servil ao imperialismo americano? Basta lembrar que no desgoverno da Avenida Paulista estava em curso o famigerado ALCA cujo resultado seria a anexação do Brasil pelos EUA, coisa parecida com o NAFTA, que entrou em vigor em 1992 e transformou o México num apêndice dos falcões de Washington - entregue hoje aos traficantes da cocaína que abastece o mercado colonizador.

Como sabemos, das primeiras medidas do operário presidente foi desmontar com diplomacia e elegância o acordo que legalizaria o Brasil como colônia do Tio Sam. Não fosse isso, seríamos hoje uma espécie de Afeganistão e Iraque, onde os governos locais são fantoches da potência invasora. A diferença é que não haveria necessidade de ocupação militar, no que convenhamos, seria uma mina de ouro para os colonizadores – dominar um país sem precisar gastar um centavo nem perder nenhuma vida de seus soldados assassinos .

Lula chegou a Cuba no momento em que morrera Orlando Zapata em consequência da greve de fome. A pessoa citada é um delinquente comum em Havana, nunca teve militância política e nunca fora citado por "comissõesde direitos humanos" como “preso político”. Neste dia assistia ao Jornal da Globo e à Globo News e houve um verdadeira “comoção” para que o presidente Lula condenasse o governo cubano e exigisse liberdade para os “presos políticos”.

Antes é bom lembrar que os 50 “presos políticos” em Cuba nunca receberam acusação de torturas por ninguém, prática comum no mesmo país, só que em Guantânamo, base militar americana em território cubano, onde cerca 300 presos políticos, acusados sem provas e sem direito a advogados, são humilhados e torturados. É bom esclarecer também, que estes “presos políticos”, se fossem americanos e tramassem alguma atividade política contra o governo do império, seriam condenados a 20 anos de cadeia. Aliás, quase todos os países do mundo punem duramente aqueles que se articulam com outras nações contra seu governo (Veja matéria e vídeo: http://www.vermelho.org.br/tvvermelho/noticia.php?id_noticia=126100&id_secao=29 )

Nos Estados Unidos existem cinco cubanos presos com penas imorais, porque lá estavam para desbaratar a máfia terrorista de Miami que tramava e trama ataques contra o povo cubano (ver: http://www.cut.org.br/content/view/2757/170/)

O presidente Lula, íntegro e firme, não se submeteu à pressão do império nem da mídia colonizada no Brasil. Não vacilou e disse que respeitava a soberania cubana para tratar de seus problemas internos. Essa mesma mídia que o enxovalhou por uma semana não diz uma nota sobre os cerca de 8.000 presos políticos na Colômbia ou sobre os 11 mil em Israel, sem falar nos assassinatos promovidos por esses dois estados terroristas. Na Colômbia, basta ser sindicalista para que o cidadão entre no corredor da morte dos grupos “para-militares” que fazem o jogo sujo financiado pelo presidente Uribe e as tropas de ocupação de Barack Obama(ver: http://www.cut.org.br/content/view/1 9066/ . .

O outro episódio que me deu uma sensação tão gostosa de viver num país soberano, que não fica de quatro para os EUA (como era o período neoliberal) foi na visita ao Brasil de Hillary Clinton, secretária de estado do império. Ela discursou ao lado do nosso competente ministro das relações exteriores Celso Amorim. Arrotando arrogância, disse tudo aquilo que já conhecemos contra o governo iraniano e contra o suposto enriquecimento de urânio no país muçulmano para fins bélicos, fazendo ameaças veladas e diretas. O representante de nosso governo, sem abaixar a cabeça, disse tudo que tinha de dizer, se contrapondo com altivez e equilíbrio aos arroubos e pressões do poderoso d o norte. Foi-se o tempo em que os prepostos dos EUA vinham aqui e nos humilhavam com seus paus mandados do Itamaraty.

Logo depois o presidente Lula fez uma visita a Israel e ao Irã do presidente Mahmoud Ahmadinejad e novamente foi atacado ferozmente por uma imprensa que reproduz a linha do New York Times e do The Wall Street Journal, de forma mais subserviente do que o exigido. Lula não se dobrou aos ditames dos sionistas e seus asseclas e rejeitou a proposta de sanções econômicas ao povo iraniano alegando que o americanos já tinham usado a mentira para justificar a invasão ao iraque. Nossa mídia disse que o governo estava indo na contramão da “comunidade internacional”. Ora, esse mesma "comunidade" já condenou os EUA e Israel dezenas de vezes, o primeiro pelo cruel bloqueio econômico a Cuba e o segundo pela construção de conjuntos habitacionais em território palestino. Alguém se atreveu a propor re taliações contra ambos?

Fosse por esse critério Luiz Inácio não deveria visitar nem receber líderes destes irmãos siameses, estados terroristas, inimigos dos povos e da democracia. Se o presidente iraniano nega o holocausto (se é que nega mesmo) não devemos negar que as ações dos judeus contra os palestinos pouco se diferem dos métodos de Hitler. E se Irã estiver desenvolvendo energia nuclear para chegar à bomba atômica, qual o problema? Se Israel tem, porque eles não podem ter? Quem decidiu que somente uns poucos países podem ter a bomba? Se foi a tal “comunidade internacional”, isso não deve ser aceito por nenhum país soberano, pois significa ficar submetido ao tacão de potências espolia doras. Parabéns presidente Lula. Se seu governo tem sérias limitações, no terreno da política internacional temos muito do que nos orgulhar.


(*) Geraldo Galindo é diretor do Sindicato dos Bancários da Bahia, da Associação dos Funcionários do BNB e membro da Executiva Estadual do PCdoB

quarta-feira, 31 de março de 2010

A demonização de Cuba: uma guerra política e cultural

Em política,a única vitória possível é cultural.O restante pode ser chamado de ocupação, asfixia, imposição...Os ideólogos da direita se lançaram de corpo e alma em uma guerra cultural contra Cuba
Por Enrique Ubieta Gómes *

O principal obstáculo do imperialismo para derrotar a Revolução Cubana não é militar nem econômico, mas sim moral. De alguma forma “inexplicável”, Cuba conserva o prestígio internacional e o consenso interno, apesar do desgaste de meio século sob os efeitos de um implacável bloqueio e de uma contínua campanha midiática, apesar da derrubada – há 20 anos – e do descrédito de um “campo socialista” do qual hoje se enumeram as manchas e se ignora a luz.



Os ideólogos da direita sabem que esse prestígio moral invalidaria qualquer vitória militar ou econômica sobre a ilha. Em política, a única vitória possível é cultural. O restante pode ser chamado de ocupação, asfixia, imposição; todas variações que postergam a vitória do suposto derrotado. Por isso, eles se lançaram de corpo e alma em uma guerra cultural que envolve tudo. Uma guerra que não busca nem pede verdades ou princípios: uma guerra para reverter convicções e sentimentos, que se apoia na força dos meios de comunicação. Ou por acaso a demonização da cultura árabe – povo que vive sobre grandes reservas de petróleo – não antecede e acompanha a guerra de extermínio que sofrem seus estados “desobedientes”? Lançar-se de corpo e alma significa que esses ideólogos devem repetir sem ruborizar e sem piscar, que Che Guevara, o guerrilheiro heróico, foi um assassino: que Batista, o assassino, foi na realidade um bom governante; que Cuba, a nação que mais vidas salvou no mundo – incluindo a de seus inimigos -, desfruta da morte.



O governo de Obama é um excelente porta-aviões para bombardeios ideológicos: um rosto negro, um perfil intelectual, um sorriso sedutor. Um enorme e moderno navio de guerra que assume ares de cruzeiro, que finge não atacar: para isso aí estão seus aviões e os pilotos que às vezes decolam à noite, enquanto o capitão dorme. O certo é que a onda de desrespeitos coletivos que Obama encontrou em seu pátio latino americano era tão colossal que a guerra não podia absolutamente ser resolvida unicamente pela via da força. Não digo que sem a força, mas que não só pela força. Era imprescindível um golpe de Estado pedagógico – e para isso escolheu-se o elo mais débil, Honduras -, mas um golpe que fosse acompanhado de justificativas (supostamente) legais, de trâmites burocráticos, de condenações públicas e de apertos de mãos privados.



Um novo conceito para legitimar culturalmente certos golpes de Estado: no futuro a democracia deixará de existir se a maioria do povo expressa eleitoralmente sua inconformidade com uma legislação que garanta os interesses imperialistas. E será legítimo o uso da força, a dos militares claro, não a do povo. Os líderes sindicais que “o governo de fato” – o que deu o golpe e que acaba de auto-eleger-se em estado de sítio – assassina todos os dias parecem não importar a ninguém. Mas os objetivos mais importantes da guerra cultural são dois: Cuba e Venezuela.



Foi talvez em Trinidad Y Tobago onde Obama compreendeu que o prestígio de Cuba era imenso. Ao término daquela Cúpula, na qual estreava seu sorriso, falou da “utilização” do internacionalismo médico da Revolução Cubana com supostos fins propagandísticos. Esse prestígio é algo que atormenta os ideólogos da direita, que sonham com a deserção de todos os médicos cubanos. El país, órgão da transnacional PRISA na Espanha, qualifica a esquerda que apóia Cuba de stalinista e nostálgica. Nossos pequenos ideólogos de Miami, México ou Barcelona, tratam de esclarecer, com pretensões acadêmicas, as razões dessa simpatia internacional e organizam cartas de condenação que levam de porta em porta. Usam todas as armas para dissuadir os solidários com essa experiência, incluindo aí a chantagem política e, se necessário, o fuzilamento midiático. A guerra é à morte.



Os diplomatas dos EUA e de alguns países europeus servidores de sua política já não se escondem em Cuba; caminham sem pudor entre os dissidentes que constroem e financiam. Usurpam os símbolos da Revolução, da esquerda, e os preenchem de conteúdo contra-revolucionário; plagiam as Mães da Praça de Maio – aquelas que sempre desprezaram e combateram – para construir as Damas de Branco. São ingredientes para um bom coquetel: mulheres debilitadas e acompanhantes, roupa branca (além do símbolo da paz, em Cuba essa cor adquire outros significados religiosos, para nada católicos), gladíolos, missas católicas. O que importa é o enquadramento da câmera. Entre com a moldura, que eu faço a guerra, dizia Hearst em 1898; ou, em termos atuais, construa o set e filme a cena – ou dê uma “tweetada” se preferir – que eu escrevo o roteiro.



Demonizar Cuba. Fazer com que as crianças das escolas espanholas sintam pena das crianças cubanas, escolarizadas, saudáveis, como poucas na América Latina. Fazer com que os cidadãos honestos que só têm tempo para sobreviver em meio a uma crise econômica que ameaça sua tranqüilidade primeiro-mundista, se compadeçam dos cubanos, mais pobres, é certo, e, no entanto, mais protegidos, e, apesar de tudo, mais livres como seres humanos. Que olhem para Cuba e se desinteressem pelo que ocorrem no Iraque, na Palestina ou na América Latina, ou na Espanha. Que convertam a ALBA – esse maravilhoso sistema de solidariedade entre povos – em um empório de obscuros interesses ideológicos. O difícil, porém, é que uma operação cultural de caráter midiático possa superar ou reverter a vivência de centenas de milhares de latinoamericanos, de africanos, asiáticos, norte-americanos e europeus, que já receberam a solidariedade cubana e venezuelana. O difícil é ocultar o sol com um dedo, principalmente quando esse dedo carrega o anel imperial.

(*) Enrique Ubieta Gómez é jornalista e escritor, seu artigo foi publicado pelo Rebelión e traduzido e reproduzido por Carta Maior

terça-feira, 30 de março de 2010

Mãe reconhece luta de Cuba para salvar o filho preso da morte




Veja reportagem do noticiário nacional de televisão cubano que revela detalhes do atendimento médico a Orlando Zapata Tamayo, morto em 23 de fevereiro depois de prolongado jejum voluntário em uma prisão da Ilha. No vídeo, a mãe de Zapata, Reina Tamayo, reconhece o tratamento qualificado e dedicação da equipe médica que cuidava do filho. Por outro lado, conversas telefônicas de contrarrevolucionários revelam a torcida pela morte de Zapata e nenhuma preocupação em salvar sua vida.
Orlando Zapata Tamayo começou sua greve de fome cerca de 80 dias antes de sua morte. O jejum iniciou por uma cozinha, um telefone e uma televisão em sua cela. A decisão também foi orientada por forças políticas contrárias ao socialismo em Cuba. Não existem imagens expressando preocupação por parte dos contrarrevolucionários com o perigo de morte que o colega corria.

A mídia tem dado ampla cobertura a todos eventos de campanha contra o socialismo em Cuba, inclusive as manifestações de oposição ao governo do presidente Raúl Castro de que participa a mãe de Zapata. Porém, as declarações públicas de Reina Tamayo sobre a luta dos médicos cubanos para salvar a vida de seu filho permanecem ocultas nos grandes veículos mídiáticos.

“No mar das Antilhas, a Ilha aparece forte e bonita, com uma história de respeito aos seres humanos de seu país e do mundo. Não aceita chantagens, nem mentiras. Sempre amando, porém, com o punho erguido para defender a verdade e a vida”, conclui a reportagem do Cubadebate.

Fonte: Cubadebate, texto e legendas para o português brasileiro da TV Vermelho

sexta-feira, 26 de março de 2010

Show de Buena Fé na Praça da Revolução em Havana



O vídeo acima mostra cenas de um show do duo Buena Fé, grande sucesso entre os jovens cubanos. Praça da Revolução lotada pela juventude alegre. Não parece muito a "ditadura" propagada pela grande mídia.

Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba na luta contra a ditadura do cartel da “informação”

O Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba vem a público demonstrar a sua indignação com a campanha orquestrada e imposta pela “grande” imprensa brasileira que, reiteradamente, vem desrespeitando os fundamentos básicos do jornalismo, impedindo à grande população o acesso à informação crítica, em relação a tudo o que se refere à Cuba.
Como de costume, a abordagem a fatos, de qualquer natureza, que se desenrolam na Ilha, recebe tratamento discriminatório, com aumento desproporcional das lentes sobre os supostos problemas que lá ocorrem e com absoluto silêncio sobre tudo aquilo que poderia enaltecer a Revolução Cubana. Nunca se faz a devida contextualização, mas, sem qualquer pudor causa-se distorções que impedem o leitor/expectador de formar uma opinião que se aproxime da realidade daquele país.
Depois do suicídio do preso comum Orlando Zapata, com motivações políticas enxertadas, seguiu-se a divulgação da imagem mórbida de Guillermo Fariñas, que, segundo Jean Guy Allard, se trata de um “delinqüente que se pretende jornalista e que, há muitos anos, vive de ‘remessas’ mafiosas”. Fariñas sofre as conseqüências de um corajoso ato de auto-suplício (greve de fome) e faz com que o muito eficiente serviço de saúde cubano lhe dê assistência intensiva. Corajoso, mas não nobre, e, muito menos, justificável. Afinal, esse ato compõe um cenário maior de ofensiva contra a Revolução Cubana, em que se busca forjar heróis para a inglória causa da destruição das conquistas do Estado cubano, seguindo a trilha recente da blogueira Yoani Sanchez, agora secundada por Zapata e por esse jornalista que foi preso por delitos comuns que atentaram contra vidas alheias. Enfim, alguns querem transformar em mártires políticos, a qualquer custo, pessoas reconhecidamente vinculadas à máfia cubana de Miami, que sequer podem ser considerados dissidentes.
Entretanto, mais do que sensibilizar, uma imprensa séria deve promover a investigação e informar sobre o fato, dentro da complexidade no qual ele se insere.
Não somos ingênuos para criar expectativas de “independência” de uma imprensa que é sustentada e controlada por grandes corporações do capital (grupo Globo, grupo Folha, grupo Estadão, grupo Bandeirantes etc). Mas, um mínimo de respeito às regras básicas do jornalismo, mesmo nessas circunstâncias, pode ser factível. Não esperamos que os empresários do lucrativo ramo da (des)informação apóiem o regime cubano, que tem uma democracia particular, baseada na universalização dos direitos humanos fundamentais como meta prioritária, ainda que restrita pelo estado de guerra sob o qual vive há mais de 40 anos.


Vemos coerência no apoio que os latifundiários da (des)informação delegam ao sofrimento e aos ideais do senhor Fariña, porém, mais coerente seria se eles tivessem coragem em assumir integralmente, diante dos seus leitores e expectadores, o projeto que dá suporte à lamentável atitude do jornalista “dissidente” cubano. A sensibilizadora imagem mórbida deveria ser acompanhada por matéria resultante de investigação sobre as ligações de Fariña com a máfia terrorista “cubana” radicada em Miami, alimentada por milhares de dólares doados pelos EUA, para derrubar o regime. Pesquisem e tenham coragem de divulgar os resultados aos seus leitores/expectadores! Esses meios de comunicação ao menos deveriam ter coragem para publicar a versão do outro lado, a dos jornalistas de Cuba e mesmo a do governo! Eles iriam proporcionar raros momentos de reflexão aos seus expectadores/leitores.


Por que será que os senhores não dedicam o mínimo espaço para o brado internacional contra a injustiça absurda que acontece há mais de dez anos em relação aos cinco patriotas anti-terroristas cubanos que se encontram encarcerados, sob torturas constantes, pelo Estado estadunidense? Quantas vezes os leitores/expectadores dessa “imprensa” ouviram falar do caso de Gerardo Hernandez, René González, Ramón Labaniño, Antonio Guerrero e Fernando González?


Por que a imprensa não mostra uma linha sequer sobre a ação humanitária que os cubanos promovem em todo o mundo, praticando, de fato, os direitos humanos? Neste exato momento, o sangue do povo haitiano escorre pelas mãos de milhares de cubanos. Por que a imprensa não revela aos seus consumidores quem são donos dessas mãos: os médicas(os), enfermeiras(os) e agentes de saúde de Cuba, que somam mais que as missões humanitárias da ONU pelo mundo?! Será que podemos falar o mesmo dos militares internacionais que lá estão? Os interesses serão os mesmos? Quem está a trocar sangue por petróleo e controle sobre a soberania alheia?


Acostumados, mas inconformados
Mas, nós, brasileiros, já estamos acostumados (ainda que continuemos indignados) com a cobertura dessa imprensa “livre” para os fatos que ocorrem no interior do nosso país. Também aqui, a incontestável obra humanitária promovida pelo Movimento dos Sem-Terra jamais recebe destaque dessa imprensa “livre”. 99,9% do cotidiano dos assentados e acampados são dedicados à organização para a vida. No entanto, 100% das reportagens dessa imprensa livre induz a pensar que os Sem-Terra não vivem senão em confrontos violentos e, pior, sequer se questiona as raízes dessa violência!


Vejamos, agora mesmo, qual o tipo de cobertura dessa imprensa a respeito da situação que levantou mais de 40 mil professores do estado contra os salários de fome e às medidas abusivas do governo privatizante do Serra. Ou esse evento digno de destaque, onde mais de duas mil mulheres marcham mais de cem quilômetros contra a violência e em prol dos seus direitos básicos! Quanta riqueza a ser divulgada! Qual a cobertura dessa imprensa que prega a “liberdade”? A cobertura feita pela “imprensa livre” é do manto do silêncio, ou da desinformação. A cobertura caolha de quem só enxerga um só lado, o lado dos opressores!

Presos comuns, preso político e direitos humanos
De fato, essa imprensa “livre” está correta ao bradar contra a indistinção entre presos comuns e aqueles presos por questões de ideais. Mas, quando se trata de aspectos de direitos humanos, não pode haver distinção. O direito de preservação da saúde do encarcerado é tão básico quanto o direito de expressão. Nesse sentido, é justo, sim, fazermos referências à violação da prática dos direitos humanos no submundo das prisões brasileiras, onde principalmente negros e pobres formam uma população carcerária que corresponde a quase 5% da população cubana! Essa imprensa livre diz isso aos seus leitores?

Na história da Revolução Cubana jamais foi torturado um prisioneiro. Não houve um único desaparecido. Não houve uma só execução extrajudiciária! O mesmo não se pode falar em relação à nossa população carcerária. Aliás, muitos dos brasileiros sequer tiveram o “direito” básico do encarceramento, pois foram vitimados pela pena de morte com a execução sumária nas mãos das nossas polícias, fato, que, aliás, predomina nas nossas páginas e telas.

Quem entende de ditadura?
Porém, o mais grave é quando vemos essa imprensa “livre” influenciar intelectuais de sólida formação, de quem se espera espírito mais crítico. Do intelectual cobramos um maior rigor no uso dos conceitos. É muito freqüente o uso dos adjetivos “ditador”, ou “ditadura”, sempre que se refere a qualquer dirigente cubano do pós-1959, ou ao regime atual da Ilha. Jamais ocorre isso quando se faz referências aos Estados Unidos, mesmo na era dos Bush, ou da Itália de Berlusconi, ou da França de Sarkozy, ou da Inglaterra de Thatcher, ou da Colômbia de Uribe. Isso se justifica para intelectuais e jornais que não estiveram ao lado de quem experimentou a mão pesada e assassina de uma ditadura nos porões dos DOI-CODIs da vida (ou da morte!), seja no Brasil, na Argentina, no Uruguai ou no Chile. Se não vale a comparação de direitos humanos entre presos comuns e presos políticos, reflitam, os senhores, sobre o uso indiscriminado do termo ditadura para se falar de uma país que pratica o humanismo mundo a fora e que garante condições básicas para um punhado de retidos por atentados contra o Estado, julgados regularmente conforme as leis do seu país, e não se envergonham em usar o mesmo termo para se referirem a governos que praticaram aberta e amplamente a tortura e o assassinato de milhares de homens e mulheres que lutaram e lutam pela igualdade, pela democracia e pela justiça social.

Não se pode esconder os problemas que a difícil construção de uma alternativa econômica e social enfrenta em Cuba. Os problemas são bastante grandes e não requerem lente de aumento para torná-los mais do que são. A menos que os intentos com o uso da lente não sejam, exatamente, a melhor aproximação do objeto, mas a sua distorção, bastando, para isso, um golpe de mão.

Essa é a liberdade que interessa a essa imprensa: a livre atuação do cartel dos grandes conglomerados dessa indústria da (des)informação, sustentada pelos monopólios empresariais da indústria, dos bancos e do comércio.

quinta-feira, 25 de março de 2010

LIÇÕES DE DIREITOS HUMANOS PARA CUBA - PARTE 3

LIÇÕES DE DIREITOS HUMANOS PARA CUBA - PARTE 3

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LIÇÕES DE DIREITOS HUMANOS PARA CUBA - PARTE 2

LIÇÕES DE DIREITOS HUMANOS PARA CUBA - PARTE 2

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50 anos de guera fria contra Cuba



HAVANA. — Cuba lembrou, em 17 de março, o 50º aniversário da Ordem Executiva do presidente estadunidense Dwight Eisenhower (foto), o qual aprovou as ações encobertas e terroristas contra a Ilha, em meio a uma nova campanha midiática dirigida a partir de Washington.

Intitulado Um programa de ação encoberta contra o regime de Castro, o documento assinado por Eisenhower representou a luz verde, em forma oficial, para desatar todo tipo de operações ilegais, com a esperança de derrocar o governo revolucionário.

Violando todas as normas internacionais que regem as relações entre governos e povos, ordenou-se formar uma organização integrada pelos remanentes da ditadura de Batista nos Estados Unidos para dar cobertura às atividades da CIA.

Paralelamente, punha-se à disposição desses planos todo o aparelho militar e de espionagem norte-americana, com o objetivo imediato de organizar uma força paramilitar que chegaria clandestinamente a Cuba, com o propósito de treinar e dirigir os grupos terroristas.

Os documentos tornados públicos pelo Arquivo de Segurança Nacional dos Estados Unidos, revelam que a Ordem incluiu iniciar uma ofensiva de propaganda internacional e criar, no interior da Ilha, um grupo clandestino para fornecer informação de inteligência.

Segundo instruiu Eisenhower, "nossa mão não deve aparecer em nada do que se faça", e fez jurar aos presentes, no ato de assinatura da Ordem, que ninguém tinha escutado nada do falado ali.

O diretor da CIA, na época Allen W. Dulles, recebeu depois a ordem do presidente "para que não se apresentasse nem sequer a esse Conselho (de Segurança Nacional), os relatórios secretos relacionados com Cuba".

Para apoiar a parte da propaganda, instruiu-se criar uma estação de rádio de onda meia para transmitir para Cuba, da Ilha Swan, ao sul do país antilhano.

A Ordem Executiva era equivalente a uma verdadeira declaração de guerra contra um pequeno país que não tinha atacado os Estados Unidos, e em suas memórias o próprio Eisenhower reconhece o ocorrido naquele tempo.

"Em 17 de março de 1960, eu ordenei à Agência Central de Inteligência que começasse a organizar o treinamento dos exilados cubanos, nomeadamente na Guatemala". E mais adiante acrescentou: "Outra ideia foi que começássemos a construir uma força anticastrista na própria Cuba. Alguns pensaram que devíamos colocar a Ilha em quarentena (leia-se bloqueio), argumentando que se a economia declinasse bruscamente, os próprios cubanos derrotariam Castro".

Os resultados desta agressão direta a Cuba puderam ver-se rapidamente com um enorme incremento dos atentados terroristas, o levante de grupos armados nas montanhas da zona central da Ilha, que assassinaram camponeses e a invasão derrotada da Baía dos Porcos.

A guerra tinha sido declarada unilateralmente. Décadas depois, a intenção de destruir a Revolução cubana continua latente no governo dos Estados Unidos. (PL)

quarta-feira, 24 de março de 2010

LIÇÕES DE DEMOCRACIA PARA CUBA - PARTE 1

LIÇÕES DE DEMOCRACIA PARA CUBA - PARTE 1
(POLÍCIA CIDADÃ)

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O vídeo acima mostra o Primeiro Ministro espanhol exigindo de Cuba respeito aos direitos humanos, depois pode-se ver cenas da polícia cubana dissolvendo manifestação das "damas de branco" semana passada em Havana e, por fim, cenas da forma correta de tratar manifestantes segundo o conceito da polícia espanhola. Vale a pena ver!

terça-feira, 23 de março de 2010

Em Havana, músicos de Porto Rico criticam bloqueio dos EUA

Ganhadores de 12 prêmios Grammy, a dupla de músicos porto-riquenha Calle 13, que chegou nesta segunda-feira (22) em Havana, criticou o embargo norte-americano a Cuba e pediu a libertação dos cinco cubanos, presos nos Estados Unidos desde 2001. René Pérez, “Residente”, e Eduardo Cabra,“Visitante”, como se autodenominam os artistas, farão um show gratuito nesta terça (23), após várias tentativas frustradas.
“Qualquer tipo de embargo é ruim. Os que existem em Porto Rico não nos afetam, somente quando decidimos vir para cá”, disse Pérez. Porto Rico, oficialmente chamado Estado Livre Associado de Porto Rico, é um território autonômo dos EUA e, dessa forma, as medidas econômicas, financeiras e comerciais adotadas por Washington contra Cuba também são vigentes na ilha caribenha.
O grupo precisou cancelar em dezembro de 2009 uma visita à capital cubana após ter o visto de viagem negado pelas autoridades norte-americanas.
Calle 13 traz em suas letras fortes críticas ao governo de Porto Rico e aos EUA. Na canção “Querido FBI”, Residente e Visitante cantam os versos “Lute, como em uma luta livre. Pela liberdade, por Porto Rico livre”. Cedido pela Espanha aos EUA em 1898, Porto Rico decidiu em um referendo em 1998 manter o status de Estado Livre Associado, recusando entre as propostas de se tornar o 51º estado norte-americano ou a de se tornar independente.
"Estamos muito felizes com a visita, trouxemos conosco muita energia para nos divertirmos com o povo cubano, para aprendermos com as pessoas daqui. Quero conhecer as pessoas e o país", disse Pérez, segundo o portal Cubadebate.cu.
Cinco cubanos
O músico igualmente pediu a libertação dos cinco cubanos, Gerardo Hernández, René González, Ramón Labañino, Fernando González e Antonio Guerrero, condenados em 2001 a penas que variam entre 15 a 30 anos, e alguns com prisão perpétua, por suposta espionagem e conspiração nos EUA e por serem agentes não registrados de um governo estrangeiro, entre outras acusações.
O governo cubano considera os cubanos como heróis nacionais e garante que estavam nos EUA para vigiar atividades violentas dos anticastristas."Sei do que acontece pelo meu pai, do que ele sabe. É algo forte, há cinco pessoas lá, é preciso um acordo para que regressem a Cuba”, disse Pérez.
O músico disse que visitará a escola primária “Carlos Muñiz Varela”, de San Antonio de los Baños, “porque Carlitos Muñiz era amigo da minha família”, disse a jornalistas. O cubano Carlos Muñiz Varela vivia em Porto Rico quando foi assassinado em 28 de abril de 1979 pelo grupo terrorista Omega 7, contrário à relação dos imigrantes cubanos com porto-riquenhos. “Me chamo René, mas seria Carlos por causa de Carlos Muñiz, porque era um dos melhores amigos do meu pai”, afirmou.

Fonte:Vermelho