quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Salim Lamrani: As 40 perguntas que Yoani Sánchez não irá responder

A seguir estão algumas perguntas que a mídia brasileira não fez e não fará a Yoani Sanchez, a blogueira que personifica a oposição à Revolução cubana.


40 perguntas para Yoani Sánchez em sua turnê mundial: famosa opositora cubana fará seu giro global por mais de uma dezena de países do mundo

Por Salim Lamrani




1. Quem organiza e financia sua turnê mundial?

2. Em agosto de 2002, depois de se casar com o cidadão alemão chamado Karl G., abandonou Cuba, “uma imensa prisão com muros ideológicos”, para imigrar para a Suíça, uma das nações mais ricas do mundo. Contrariamente a qualquer expectativa, em 2004, decidiu voltar a Cuba, “barco furado prestes a afundar”, onde “seres das sombras, que como vampiros se alimentam de nossa alegria humana, nos introduzem o medo através do golpe, da ameaça, da chantagem”, onde “os bolsos se esvaziavam, a frustração crescia e o medo se estabelecia”. Que razões motivaram esta escolha?

3. Segundo os arquivos dos serviços diplomáticos cubanos de Berna, Suíça, e de serviços migratórios da ilha, você pediu para voltar a Cuba por dificuldades econômicas com as quais se deparou na Suíça. É verdade?

4. Como pôde se casar com Karl G. se já estava casada com seu atual marido Reinaldo Escobar?

5. Ainda é seu objetivo estabelecer um “capitalismo sui generis” em Cuba?

6. Você criou seu blog Geração y (Generación Y) em 2007. Em 4 de abril de 2008 conseguiu o Prêmio de Jornalismo Ortega e Gasset, de 15 mil euros, outorgado pelo jornal espanhol El País. Geralmente, este prêmio é dado a jornalistas prestigiados ou a escritores de grande carreira literária. É a primeira vez que uma pessoa com seu perfil o recebe. Você foi selecionada entre cem pessoas mais influentes do mundo pela revista Time (2008). Seu blog foi incluído na lista dos 25 melhores blogs do mundo pela cadeia CNN e pela revista Time (2008), e também conquistou o prêmio espanhol Bitacoras.com, assim como The Bob’s (2008). El País lhe incluiu em sua lista das cem personalidades hispano-americanas mais influentes do ano 2008. A revista Foreign Policy ainda a incluiu entre os dez intelectuais mais importantes do ano em dezembro de 2008. A revista mexicana Gato Pardo fez o mesmo em 2008. A prestigiosa universidade norte-americana de Columbia lhe concedeu o prêmio María Moors Cabot. Como você explica esta avalanche de prêmios, acompanhados de importantes quantias financeiras, em apenas um ano de existência?

7. Em que emprega os 250 mil euros conseguidos graças a estas recompensas, um valor equivalente a mais de 20 anos de salário mínimo em um país como França, quinta potencia mundial, e a 1.488 anos de salário mínimo em Cuba?

8. A Sociedade Interamericana de Imprensa, que agrupa os grandes conglomerados midiáticos privados do continente, decidiu nomeá-la vice-presidente regional por Cuba de sua Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação. Qual é seu salário mensal por este cargo?

9. Você também é correspondente do jornal espanhol El País. Qual é sua remuneração mensal?

10. Quantas entradas de cinema, de teatro, quantos livros, meses de aluguel ou pizzas pode pagar em Cuba com sua renda mensal?

11. Como pode pretender representar os cubanos enquanto possui um nível de vida que nenhuma pessoa na ilha pode se permitir levar?

12. O que faz para se conectar à Internet se afirma que os cubanos não têm acesso e ela?

13. Como é possível que seu blog possa usar Paypal, sistema de pagamento online que nenhum cubano que vive em Cuba pode utilizar por conta das sanções econômicas que proíbem, entre outros, o comércio eletrônico?

14. Como pôde dispor de um Copyright para seu blog “© 2009 Generación Y – All Rights Reserved”, enquanto nenhum outro blogueiro cubano pode fazer o mesmo por causa das leis do embargo?

15. Quem se esconde atrás de seu site desdecuba.net, cujo servidor está hospedado na Alemanha pela empresa Cronos AG Regensburg, registrado sob o nome de Josef Biechele, que hospeda também sites de extrema direita?

16. Como pôde fazer seu registro de domínio por meio da empresa norte-americana GoDady, já que isto está formalmente proibido pela legislação sobre as sanções econômicas?

17. Seu blog está disponível em pelo menos 18 idiomas (inglês, francês, espanhol, italiano, alemão, português, russo, esloveno, polaco, chinês, japonês, lituano, checo, búlgaro, holandês, finlandês, húngaro, coreano e grego). Nenhum outro site do mundo, inclusive das mais importantes instituições internacionais, como por exemplo as Nações Unidas, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, a OCDE ou a União Europeia, dispõem de tantas versões linguísticas. Nem o site do Departamento de Estado dos Estados Unidos, nem o da CIA dispõem de igual variedade. Quem financia as traduções?

18. Como é possível que o site que hospeda seu blog disponha de uma banda com capacidade 60 vezes superior àquela que Cuba dispõe para todos os usuários de Internet?

19. Quem paga a gestão do fluxo de mais de 14 milhões de visitas mensais?

20. Você possui mais de 400 mil seguidores em sua conta no Twitter. Apenas uma centena deles reside em Cuba. Você segue mais de 80 mil pessoas. Você afirma “Twitto por sms sem acesso à web”. Como pode seguir mais de 80 mil pessoas sem ter acesso à internet?

21. O site www.followerwonk.com permite analisar o perfil dos seguidores de qualquer membro da rede social Twitter. Revela a partir de 2010 uma impressionante atividade de sua conta. A partir de junho de 2010, você se inscreveu em mais de 200 contas diferentes do Twitter a cada dia, com picos que podiam alcançar 700 contas em 24 horas. Como pôde realizar tal proeza?

22. Por que cerca de seus 50 mil seguidores são na verdade contas fantasmas ou inativas? (ver aqui) De fato, dos mais de 400 mil perfis da conta @yoanisanchez, 27.012 são ovos (sem foto) e 20 mil têm características de contas fantasmas com uma atividade inexistente na rede (de zero a três mensagens mandadas desde a criação da conta).

23. Como é possível que muitas contas do Twitter não tenham nenhum seguidor, apenas seguem você e tenham emitido mais de duas mil mensagens? Por acaso seria para criar uma popularidade fictícia? Quem financiou a criação de contas fictícias?

24. Em 2011, você publicou 400 mensagens por mês. O preço de uma mensagem em Cuba é de 1,25 dólares. Você gastou seis mil dólares por ano com o uso do Twitter. Quem paga por isso?

25. Como é possível que o presidente Obama tenha lhe concedido uma entrevista, enquanto recebe centenas de pedidos dos mais importantes meios de comunicação do mundo?

26. Você afirmou publicamente que enviou ao presidente Raúl Castro um pedido de entrevista depois das respostas de Barack Obama. No entanto, um documento oficial do chefe da diplomacia norte-americana em Cuba, Jonathan D. Farrar, afirma que você nunca escreveu a Raúl Castro: “Ela não esperava uma resposta dele, pois confessou nunca tê-las enviado [as perguntas] ao presidente cubano. Por que mentiu?

27. Por que você, tão expressiva em seu blog, oculta seus encontros com diplomáticos norte-americanos em Havana?

28. Entre 16 e 22 de setembro de 2010, você se reuniu secretamente em seu apartamento com a subsecretaria de Estado norte-americana Bisa Williams durante sua visita a Cuba, como revelam os documentos do Wikileaks. Por que manteve um manto de silêncio sobre este encontro? De que falaram?

29. Michael Parmly, antigo chefe da diplomacia norte-americana em Havana afirma que se reunia regularmente com você em sua casa, como indicam documentos confidenciais da SINA. Em uma entrevista, ele compartilhou sua preocupação em relação à publicação dos cabos diplomáticos norte-americanos pelo Wikileaks: “Eu me incomodaria muito se as numerosas conversas que tive com Yoani Sánchez forem publicadas. Ela poderia sofrer as consequências por toda a vida”. A pergunta que imediatamente vem à mente é a seguinte: quais são as razões por que você teria problemas com a justiça cubana se sua atuação, conforme afirma, respeita o marco da legalidade?

30. Continua pensando que “muitos escritores latino-americanos mereciam o Prêmio Nobel de Literatura mais que Gabriel García Márquez”?

31. Continua pensando que “havia uma liberdade de imprensa plural e aberta, programas de rádio de toda tendência política” sob a ditadura de Fulgencio Batista entre 1952 e 1958?

32. Você declarou em 2010: “o bloqueio tem sido o argumento perfeito do governo cubano para manter a intolerância, o controle e a repressão interna. Se amanhã as suspenderem as sanções, duvido muito que sejam vistos os efeito”. Continua convencida de que as sanções econômicas não têm nenhum efeito na população cubana?

33. Condena a imposição de sanções econômicas dos Estados Unidos contra Cuba?

34. Condena a política dos Estados Unidos que busca uma mudança de regime em Cuba em nome da democracia, enquanto apoio as piores ditaduras do Oriente Médio?

35. Está a favor da extradição de Luis Posada Carriles, exilado cubano e ex-agente da CIA, responsável por mais de uma centena de assassinatos, que reconheceu publicamente seus crimes e que vive livremente em Miami graças à proteção de Washington?

36. Está a favor da devolução da base naval de Guantánamo que os Estados Unidos ocupam?

37. Você é favorável à libertação dos cinco presos políticos cubanos presos nos Estados Unidos desde 1998 por se infiltrarem em organizações terroristas do exílio cubano na Florida?

38. Em sua opinião, é normal que os Estados Unidos financiem uma oposição interna em Cuba para conseguir “uma mudança de regime”?

39. Em sua avaliação, quais são as conquistas da Revolução Cubana?

40. Quais interesses se escondem atrás de sua pessoa?


Extraído do blog Viomundo

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Fidel aparece para votar e defende as atuais mudanças na ilha



Fidel aparece para votar e defende as atuais mudanças na ilha

Faltavam apenas alguns minutos para as 17 horas deste domingo (3), quando palmas e gritos de alegria das pessoas reunidas nos arredores do Colégio Eleitoral número 1, em Plaza da Revolução, Havana, indicaram a chegada do eleitor número 28. O líder cubano Fidel Castro, com andar pausado e cuidadoso, mas com sorriso e bom humor característicos, subiu a rampa de acesso à zona de votação, já com sua cédula em mãos, para votar nas eleições gerais.

Fidel conversou por mais de uma hora com admiradores e jornalistas cubanos, neste que é seu primeiro contato com o povo em alguns meses. Desde 2006 que o líder comunista não participava pessoalmente de eleições no país. Ele registrava o voto através de representantes. Depois de um período mais ausente de eventos, em 2012 participou de vários atos públicos, incluindo um encontro com o Papa Bento XVI. Suas fotos mais recentes são de janeiro de 2013, quando se reuniu com a presidente argentina Cristina Kirchner e o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Logo ao chegar na sessão de votação, Fidel conversou com os mesários e as crianças que atuam como fiscais simbólicos do pleito. Em seguida, perguntou aos mesários se podia afastar-se para dialogar com a imprensa e ressurgiu então um Fidel conversador e midiático. Ninguém poderia esperar, contudo, que, apesar do avançado da hora ou do clima frio, ele passaria uma hora e meia conversando com os jornalistas e transeuntes que se reuniram na saída do colégio eleitoral.

Com uma memória prodigiosa, ao rememorar fatos e datas, um Fidel conversador e curioso – entrevistado por vezes, entrevistador por outras – falou da economia cubana e da mundial, da política nacional e internacional, da história passada e recente da América Latina, dos desafios atuais de Cuba, do papel da imprensa, da necessidade de evitar guerras e até de agricultura.

Fidel brincou até quando lhe perguntaram sobre as eleições, assegurando que não poderia revelar, "para não violar a lei, em quem votei". Mas ressaltou o papel que as mulheres vêm assumindo na política cubana. "E assim deve ser", completou. O ex-presidente procurou informações sobre a disputa, quis saber quantos haviam votado, quantos ainda deveriam fazê-lo. "Aqui as eleições não são como nos Estados Unidos, onde apenas uma minoria vota. Não podemos deixar que isso aconteça nunca, porque aqui o povo é que manda", disse.

Respondendo a uma pergunta de uma repórter sobre as atuais mudanças em Cuba, Fidel enfatizou que "a maior transformação de todas foi a própria Revolução. Mas, claro, nada é perfeito, muitas coisas sabemos hoje que não sabíamos então, e é necessário trabalhar para continuar aperfeiçoando o país. É um dever atualizar o modelo socialista cubano, modernizá-lo, mas sem cometer erros", disse.

"Agora tenho um pouco mais de tempo para ler, ver televisão, refletir. Aproveito muito para estudar, pensar nesses problemas, pois as pessoas, com suas preocupações diárias, que são tantas, às vezes não pensam nelas", disse Fidel, depois de falar sobre a crise, as altas taxas de desemprego e as guerras, um tema dos quais dedica muito tempo de estudo e reflexão.

"Cada vez estou mais convencido de que, como demonstra a história, pelos egoismos e ambições, por esse instinto natural e selvagem dos homens, são quase inevitáveis as guerras", expressou. "Mas as guerras são muito distintas quando se fazem por uma causa justa, pela liberdade, pela solidariedade, e nós estivemos dispostos a correr esses riscos", afirmou.
"Só um homem na história se fez famoso por levar adiante grandes campanhas militares, mas para libertar povos. Esse homem foi Bolívar", assegurou, para em seguida, completar que "Bolívar, mas também Martí e Chávez, são pessoas muito importantes para a América Latina".
Questionado sobre seu amigo, que se recupera em Cuba após cirurgia, disse que tem notícias dele todos os dias. "Está muito melhor, recuperando-se. Tem sido uma luta forte, mas tem melhorado. Temos que curá-lo. Chávez é muito importante para seu país e para a América Latina."
O tema derivou para a recente cúpula da Celac, que, segundo Fidel, "foi um passo muito importante para a unidade, do qual Chávez foi um dos maiores artífices".
O líder falou também sobre o avanço tecnológico e a importância de estar bem informado. "Por isso é tão importante o papel de vocês", disse, dirigindo-se aos jornalistas. "E que cada vez estudem mais para informar melhor e não digo isso como uma crítica, pois respeito muito o trabalho da mídia, mas porque estou convencido que os jornalistas são uma fortaleza para o país e para a Revolução."
Apesar da idade, Fidel continua assombrando os repórteres, por sua capacidade de compreender a realidade e falar sobre as mudanças atuais em Cuba e relacioná-las com coisas como a produção de alimentos, por sua capacidade de recordar detalhes tão incríveis como onde se compravam os primeiros búfalos que chegaram ao país ou simplesmente ao mostrar-se interessado na tiragem diária de cada periódico, mostrando com exemplos que realmente os lê cotidianamente.
Ao ser questionado por um repórter se gostaria de mandar uma mensagem ao povo de Cuba, Fidel olhou diretamente para o jornalista e, após pensar um instante, disse: "Este é um povo valente. Não temos que provar isso. Cinquenta anos de bloqueio e não puderam nos derrotar. O povo é tudo, sem o povo não somos nada, sem o povo não haveria revolução".
Fonte: Blog Vermelho, com Juventud Rebelde

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Em Cuba há eleições? Veja este vídeo de CUBAINFORMACION

Cubanos vão às urnas.

Cubanos vão às urnas para escolher representantes no Parlamento


Os cubanos vão às urnas neste domingo (3) para escolher seus representantes no Parlamento. A expectativa é que 8,4 milhões de pessoas participem do processo eleitoral.




Os eleitores podem votar em um candidato ou candidatos de sua circunscrição. Mais de 600 deputados devem ser eleitos para a Assembleia Nacional do Poder Popular, que deve dar ao presidente Raúl Castro mais cinco anos de mandato.

Se for levado adiante o projeto de longo prazo apresentado por Raúl Castro de estabelecer um máximo de dois mandatos consecutivos para autoridades do alto escalão, o novo mandato presidencial será os últimos cinco anos que ele ficará à frente do governo cubano.

Ex-presidente do país e irmão de Raúl Castro, Fidel Castro, 86 anos, lidera a lista de candidatos para o município de Santiago de Cuba, na província de mesmo nome, no leste de Cuba. Raúl Castro, 81 anos, concorre pelo município Frente Segundo, também em Santiago.

Entre os políticos mais influentes da velha guarda está Ricardo Alarcon, 75 anos, que se aposentará. Ele comanda a Assembleia Nacional desde 1993 e foi ministro das Relações Exteriores de Fidel Castro por um ano (1992-1993).

Entre os novatos, destaca-se a filha de Raúl Castro, Mariela, que integra o Congresso de Havana. Aos 50 anos de idade, ela é conhecida por suas posições liberais em favor dos direitos dos homossexuais na ilha.

Fonte: Agência Brasil

Eleições em Cuba: o povo indica os candidatos

Eleições em Cuba: quem indica os candidatos é o povo!

Desvinculado do modelo partidarista o sistema eleitoral cubano possibilita o exercício livre da cidadania com a escolha dos candidatos pelos próprios eleitores, o que incentiva o alto índice de comparecimento às eleições, mesmo que o voto não seja obrigatório. Para concorrer não é necessário que o candidato seja filiado a qualquer partido político.

(*) Jornalista e presidente do Conselho Deliberativo da Associação Cultural José Martí/RS

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Lula em Cuba

Em Cuba, Lula pede fim do bloqueio e afirma que EUA “perderam a guerra”

Ex-presidente brasileiro participou de conferência em homenagem a José Martí e se encontrou com os irmãos Castro
 
Horas depois de ter se encontrado em Havana com o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, o ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou o bloqueio norte-americano à ilha caribenha. No discurso de encerramento da 3ª Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, realizado na noite desta quarta-feira (30/01), o ex-presidente afirmou que a única razão para o embargo de 50 anos continuar existindo é a teimosia dos Estados Unidos em “não reconhecer que perdeu a guerra para Cuba”. As informações são da multiestatal Telesur e do Instituto Lula.

“Não existe mais nenhuma razão de se manter o bloqueio [de Cuba] a não ser a teimosia de quem não reconhece que perdeu a guerra, e perdeu a guerra para Cuba”, afirmou. “Espero que [o presidente reeleito dos EUA, Barack] Obama, neste mandato, tenha um olhar mais igualitário e mais justo para com nossa querida América Latina”, defendeu o ex-presidente. “Como sou otimista, eu acredito que um dia os Estados Unidos vão rever a sua posição, e espero que seja no governo Obama”, completou.

No evento, que reuniu mais de 700 delegados de 41 países no Palácio de Convenções de Havana, Lula também defendeu o fortalecimento da integração latino-americana. “Vocês não podem voltar para suas casas e simplesmente colocar isso [a participação no evento] nas suas biografias. É necessário que vocês saiam daqui cúmplices e parceiros de uma coisa maior, de uma vontade de fazer alguma coisa juntos mesmo não estando reunidos”, disse aos presentes.

Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Lula participa de conferência em homenagem à José Martí e pede uma integração ainda maior do continente

A Conferência, terceira realizada em 10 anos, é patrocinada pela Oficina do Programa Martiano, que se propõe a debater internacionalmente a contribuição intelectual do herói da independência cubana, José Martí. O evento coincide com os 160 anos de Martí e com o aniversário de 60 anos da invasão do Quartel Moncada, um importante marco da revolução cubana, e reuniu cerca de 1500 participantes, dos quais 800 estrangeiros de 44 países. Na terça, o ex-presidente depositou flores no memorial de Martí, em Havana.

Em outro trecho do discurso, Lula defendeu o presidente da Bolívia, Evo Morales. “Quem imaginava que um índio, com cara de índio, jeito de índio, comportamento de índio, governaria um país e, mais do que isso, que seu governo daria certo?”, questionou. Lula afirmou que a direita brasileira queria que ele brigasse com Evo, quando este estatizou a empresa de gás boliviana, então operada pela brasileira Petrobras. “Aí eu pensei: eu não consigo entender como um ex-metalúrgico vai brigar com um índio da Bolívia”, contou o ex-presidente, sob os aplausos da plateia.

O ex-presidente também abordou temas como a mídia, ao afirmar que a interação permitida pelos meios de comunicação modernos, como a internet, abre grandes possibilidades ao processo de integração latino-americana: “Nunca tivemos tanta oportunidade de sermos tão independentes”.
 

"Nem reclamo, porque no Brasil a imprensa gosta muito de mim", ironizou. "Nasci assim, cresci assim e vou continuar assim, e isso os deixa muito nervosos", disse, sobre suas relações com a imprensa tradicional brasileira.

Segundo Lula, o mesmo tipo de relação se aplica aos outros governos progressistas da América Latina: “Eles não gostam da esquerda, não gostam de [Hugo] Chávez, não gostam de [Rafael] Correa [presidente do Equador], não gostam de [José] Mujica [presidente do Uruguai], não gostam de Cristina [Kirchner, presidente da Argentina], não gostam de Evo Morales [presidente da Bolívia]. E não gostam não pelos nossos erros, mas pelos nossos acertos”, disse. Para Lula, as elites não gostam que pobre ande de avião, compre um carro novo ou tenha uma conta bancária.

Lula abriu o seu discurso pedindo um minuto de silêncio para as vítimas do incêndio em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e fez uma homenagem a Chávez, que se encontra internado em Havana, em tratamento contra um câncer na região pélvica. O ex-presidente afirmou estar usando uma Guayabera vermelha em sua homenagem.

Agenda

Lula também participou, nesta quarta, do lançamento do livro "Os últimos soldados da guerra fria", do escritor brasileiro Fernando Morais.

Não foram divulgados maiores detalhes sobre o encontro entre Lula e Fidel.

Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Fidel Castro e Lula se encontraram em Havana; ex-presidente brasileiro pediu fim do bloqueio norte-americano à ilha

Pela manhã, o ex-presidente brasileiro também visitou o presidente Raúl Castro e acompanhou as obras do Porto de Mariel, destinado a ser uma "zona econômica exclusiva" na ilha, autorizada a receber capital estrangeiro.

O ex-presidente, em Havana desde segunda-feira (28), deve deixar Cuba em direção à República Dominicana, onde se encontrará com o presidente Danilo Medina Sánchez e o ex-presidente Leonel Fernández.

No dia 2, Lula irá a Washington, onde no dia seguinte, fará o discurso de abertura em um evento do sindicato dos trabalhadores da indústria automobilística e aeroespacial.
 
Extraído de Opera Mundi ( www.operamundi.com ).

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Fernando Moraes promete tomar caipirinha na libertação dos Cinco


Uma tarde cubano-brasileira foi o momento marcante da segunda jornada da Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo, nesta terça-feira (29). Com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi lançada a edição em espanhol do livro “Os últimos Soldados da Guerra Fria”, do escritor Fernando Moraes.



Roberto Ruiz
Fernando Moraes em Havana Para Fernando Moraes, “Os Últimos Soldados da Guerra Fria” foi de todos os seus livros o que mais o emocionou


O evento lotou a plenária do Centro de Convenções de Havana e foi prestigiado por autoridades cubanas como Armando Hart, diretor do Centro de Estudos Martianos, Ricardo Alarcón, presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba (Parlamento), Rolando Alfonso Borges, chefe do Departamento Ideológico do Partido Comunista de Cuba e familiares dos Cinco Heróis Cubanos, como são conhecidos Gerardo Henandez, Ramon Labañino, Fernando Gonzalez, Antonio Guerrero e René Gonzalez, injustamente presos nos Estados Unidos.

Coube a Ricardo Alarcón fazer a apresentação do livro, num discurso bem preparado em que fez reflexões e apresentou informações sobre o andamento das ações da defesa dos prisioneiros, que cogita neste momento pedir à Corte Suprema dos Estados Unidos um Habeas Corpus como recurso final para tentar uma revisão das sentenças.

Alarcón iniciou suas palavras dirigindo-se ao “querido companheiro Lula, que sempre esteve e sempre estará onde as lutas dos povos latino-americanos reclamam”. Por intermédio do ex-presidente, figura popular e querida em Cuba, o dirigente cubano transmitiu os sentimentos de dor e solidariedade ao povo brasileiro e às famílias das vítimas da tragédia de Santa Maria (RS), ocorrida no último final de semana.

“Foi uma decisão sábia abrir este espaço na Terceira Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo para o lançamento deste livro”, afirmou Alarcón. Segundo ele, José Martí, que “descobriu a natureza oculta da sociedade norte-americana”, teria lido a obra de Fernando Moraes com “amoroso interesse, emoção e assombro”.

Traçando um paralelo histórico entre o “Apóstolo da Independência” com os Cinco Heróis presos nos Estados Unidos, Alarcón mencionou que os Cinco, assim como Martí, “viveram nas entranhas do monstro sem se corromper”.

O presidente da Assembleia Nacional de Cuba não poupou elogios ao livro e ao escritor brasileiro, a quem chamou de “meu querido e admirado amigo, um dos maiores escritores do nosso tempo”. Na opinião de Alarcón, “faltava uma voz que fosse capaz de chegar ao coração das pessoas com a força criadora do escritor, do jornalista que não conhece limites no seu trabalho investigativo”.

Para Fernando Moraes, “Os Últimos Soldados da Guerra Fria” foi de todos os seus livros o que mais o emocionou, pois se trata de um livro sobre seres humanos. Ele relatou que até a publicação da primeira edição em português foram três anos de trabalho e de muitas viagens a Havana, Miami e Nova York para examinar documentos e colher depoimentos. O escritor disse que se sentia honrado que seu livro estivesse sendo lançado em espanhol “em circunstância tão importante como durante as comemorações do 160º aniversário de José Martí e ao lado de Alarcón e Lula, querido e eterno presidente do Brasil”.

Fernando Moraes fez um agradecimento especial às famílias dos Cinco Heróis que ajudaram na produção do livro ao darem depoimentos e informações importantes.

Com bom humor, contou que no último diálogo que teve por telefone com um dos prisioneiros, disse acreditar que em breve estarão todos em Cuba e festejarão a libertação com uma caipirinha feita por ele próprio. Neste momento, entre risos da plateia, tirou da mochila uma garrafa de uma autêntica cachaça mineira e a entregou a Alarcón para que a cachaça fique sob sua custódia até o dia do esperado encontro.

Extraído do blog Vermelho
De Havana, José Reinaldo Carvalho

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Cuba assume presidência temporária da CELAC




Nesta segunda-feira (28), Cuba assumirá a presidência temporária da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), bloco integracionista que encerra no Chile sua primeira reunião de cúpula.



Durante este ano, a ilha caribenha dirigirá a entidade criada na Venezuela, pelos 33 países independentes de uma região que buscará avançar pelos caminhos da integração.

Reunidos no segundo e último dia de sessões da 1ª Cúpula da Celac, os presidentes aprovarão a declaração final do encontro e um Plano de Ação.

Esses documentos agrupam as prioridades da organização em temas como levar uma voz única aos fóruns internacionais, o desenvolvimento sustentável, a harmonia com o meio ambiente, as soluções à crise econômica e o combate à da pobreza e o narcotráfico.

Integração

Para o líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, o nascimento da Celac é o acontecimento institucional mais importante da região em um século. O presidente Raúl Castro qualificou o mandato na presidência desta entidade como uma grande responsabilidade.

O vice-chanceler Abelardo Moreno adiantou à Prensa Latina, em um encontro com jornalistas, que a gestão de Cuba à frente da Celac impulsionará a integração, o acordo e a consolidação da paz regional.

Moreno explicou que também potencializará a coordenação dos outros blocos mecanismos como a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), a Unasul, a Caricom, o Mercosul, o Sistema de Integração Centro-americano e a Comunidade Andina.

Com Prensa Latina

sábado, 26 de janeiro de 2013

Frei Betto: Martí e a revolução cubana




Em evento internacional sobre o equilíbrio do mundo, patrocinado pela Unesco, comemora-se em Havana, na última semana de janeiro, o 160º aniversário do nascimento de José Martí.

Por Frei Betto*, em Adital

A história da América Latina é rica em líderes sociais que encarnaram, em ideias e atitudes, utopias libertárias. Raros, entretanto, aqueles que, se por milagre ressuscitassem do túmulo, se deparariam com a realização efetiva de seus sonhos e projetos. Um deles é José Martí, que veria na Revolução Cubana que seu sacrifício não foi em vão – morreu de armas nas mãos, em 1895, defendendo a emancipação de Cuba do domínio espanhol.

Sua luta disseminou raízes que floresceram no projeto de soberania e libertação nacionais, com expressiva ressonância internacionalista, realizado pelo povo cubano nas últimas seis décadas, sob a liderança dos irmãos Fidel e Raúl Castro.

Graças a Martí, a Revolução Cubana preservou a sua cubanidade, a sua originalidade, sem se deixar engessar por conceitos dogmáticos que, em outros países socialistas, produziram tão nefastas consequências. Martí tinha o dom de ser um homem de ação sem deixar de ser um intelectual refinado, um pragmático e um espiritualista. Jamais perdeu o senso crítico e mesmo autocrítico.

Martí viveu 15 anos nos EUA, em Nova York, entre 1880 a 1895, quando ali vicejava uma radical transformação que imprimiria ao capitalismo seu caráter agressivo. Ao mesmo tempo, possibilitou-lhe o contato com o que havia de mais avançado nos pensamentos filosóficos, científicos e espirituais. Na sociedade norte-americana, Martí constatou o que significa um desenvolvimento econômico centrado na apropriação privada da riqueza, indiferente às reais necessidades humanas, e como essa concepção egocêntrica limitava a vida espiritual.

O papel de Cuba no equilíbrio da América Latina e do Caribe deita raízes no século XVIII, quando, graças à influência do enciclopedismo, a cultura cubana ganhou identidade e expressão. Dentro desse processo destacaram-se homens de profundo senso espiritual, como o bispo Espada, Félix Varela, Luz y Caballero, para culminar em Martí e naqueles que ele formou, como Enrique José Varona, mentor dos jovens universitários nos primórdios do século XX.

O que marcou a geração de Varela, Luz e, em seguida, a de Martí, foi a capacidade de assimilar as novas ideias iluministas sem despregar os pés do solo latino-americano e caribenho. Há um princípio de educação popular que bem se aplica a essas figuras históricas, e também explica a originalidade de seus pensamentos: a cabeça pensa onde os pés pisam.

Nas pegadas do ideário que os movia estava o sofrimento dos povos indígenas e dos escravos, a sanha colonialista, a luta pioneira de meu confrade, frei Bartolomeu de las Casas, os princípios cristãos da radical sacralidade de cada ser humano, considerado filho amado de Deus, independentemente de sua classe, etnia ou atividade social. A luta por liberdade e justiça foi iniciada, em nosso Continente, pelos povos indígenas. Milhões foram encarcerados, enforcados, queimados vivos, decapitados e esquartejados. Tupac Amaru clamou contra a opressão colonialista. Hatuey, líder indígena de Cuba, foi queimado em uma fogueira. Consta que, ao lhe perguntarem se queria aceitar a religião de seus algozes espanhóis, de modo a garantir seu lugar no Céu, perguntou se eles também, ao morrerem, iriam para o Céu. Ao responderem que sim, Hatuey disse que não queria estar com eles no Paraíso... Também mulheres indígenas, como Bartolina Sisa e Micaela Bastidas, lutaram e morreram em defesa dos direitos de seus povos.

Todos esses antecedentes explicam a Revolução Cubana e por que ela se destaca como fator de resistência na América Latina. Antes da vitória em Sierra Maestra, nosso Continente era zona de ocupação e extorsão, exploração e submissão aos países mais poderosos do Ocidente. A Revolução Cubana deu um basta ao imperialismo, resgatou o espírito de soberania dos povos caribenhos e latino-americanos, despertou a consciência crítica de nossa gente, fomentou movimentos libertários, comprovou que a utopia pode, sim, se transformar em topia, e que a esperança nunca é em vão.

 Cuba venceu o colonialismo espanhol eliminando a escravatura e assegurando a sua independência como nação. Com a vitória da Revolução, impôs limites à expansão imperialista dos EUA.

 Ali ocorreu um movimento de libertação nacional que abraçou o projeto socialista. Mas o equilíbrio se manteve. Martí não foi trocado por Marx; a fé religiosa dos cubanos não foi eliminada pelo materialismo histórico e dialético; a arte não se deixou descaracterizar pelos estreitos limites do realismo socialista. Aquilo que no pensamento europeu soava como antagônico, aqui na América Latina e no Caribe se revelou paradoxo. O que parecia irreconciliável do outro lado do oceano, aqui apresenta convergência, como o marxismo destituído de dogmas e o cristianismo desprovido de arrogância elitista, mas sensível ao clamor dos pobres, o que resultou na Teologia da Libertação.

* Frei Betto é escritor, autor de "Cartas da prisão” (Agir), entre outros livros.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Um pouco de Arte - Bella Ciao com Modena City Ramblers

Bella Ciao, conhecido hino dos antifacistas italianos, cantado aqui pela Banda Modena City Ramblers num comicio alteromundista.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Lula participará de homenagem a José Martí em Cuba




O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará a Havana no dia 29 de janeiro para participar nas comemorações do aniversário de José Martí, quando será realizada a 3ª Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo.

Lula também participará do lançamento do livro “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”, de Fernando Morais e deverá ficar dois dias na ilha.

Cerca de 600 delegados de 43 países confirmaram a participação na conferência que ocorrerá de 28 a 30 de janeiro em Cuba.

A intenção do fórum é reunir pessoas de diversas correntes do pensamento para debater questões do mundo contemporâneo, sob a ótica do legado de Martí.
  O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará a Havana no dia 29 de janeiro para participar nas comemorações do aniversário de José Martí, quando será realizada a 3ª Conferência Internacional pelo Equilíbrio do Mundo.
Lula também participará do lançamento do livro “Os Últimos Soldados da Guerra Fria”, de Fernando Morais e deverá ficar dois dias na ilha.

Cerca de 600 delegados de 43 países confirmaram a participação na conferência que ocorrerá de 28 a 30 de janeiro em Cuba.

A intenção do fórum é reunir pessoas de diversas correntes do pensamento para debater questões do mundo contemporâneo, sob a ótica do legado de Martí.

Extraído do Vermelho.



segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

PASSA À HISTÓRIA O COMANDANTE ALÍRIO


Aqui Alírio com os companheiros da ACJM -Ba durante a Conveção Estadual de 2010


Faleceu no último dia 02 de janeiro de 2013 o companheiro Alírio Feliciano Pimenta, membro mais idoso da Associação Cultura José Martí - Bahia e conhecido carinhosamente no âmbito do movimento de soidariedade a Cuba como Comandante Alírio. 

Alírio foi liderança sindical dos portuários de Salvador e destacado militante comunista desde os anos 50. Em seu sítio nos arredores de Salvador deu proteção a importantes lideranças comunistas perseguidas pela ditadura militar, a exemplo do pernambucano Gregório Bezerra. Foi por diversas vezes encarregado da segurança de Luís Carlos Prestes durante suas visitas a Salvador.

Aposentado, Alírio dedicou-se inteiramente à militância internacionalista e à defesa da Revolução Cubana. Esteve inúmeras vezes na ilha, mesmo já bastante idoso e um pouco adoentado,  integrando brigadas de solidariedade, ocasiões em que participou de atividades políticas e da colheita solidária de frutas.

O Comandante Alírio foi bastante ativo nas Convenções Nacionais de Solidariedade a Cuba e não perdia a oportunidade de conversar com os mais jovens sobre suas experiências e esperança no futuro. Todos os que já participaram das Convenções não esquecerão jamais as palavras de ordem que costumava puxar e que eram acompanhadas com entusiamo por todos e sobretudo pelos jovens estudantes que viam em Alírio um exemplo de coragem e compromisso com a causa do socialismo.

Hasta siempre, Comandante Alírio!