O professor de jornalismo Eugênio Bucci vive apregoando pelos quatro cantos a defesa de um jornalismo isento , com base na verdade , objetivo , não manipulado. E o que vemos em seu artigo “O fundamentalismo do Estado cubano ( Estado de S. Paulo, p. A2, 21 de abril ) que aborda o VI Congresso do Partido Comunista de Cuba recém realizado? Não há qualquer isenção , a verdade é agredida, a objetividade , esquecida, se enreda em fantasias tortuosas e a manipulação é grosseira . Convido o leitor a percorrer o Herald Tribune, o El Nuevo Herald, o Diario de las Americas, porta-vozes em Miami das organizações cubano-americanas contrarrevolucionárias, e não encontrará sequer algo parecido em termos de desonestidade . Enfim , não é um texto de mestre da Escola de Jornalismo da USP e sim um panfleto que retrata sua atual inclinação ideológica.
O professor Bucci decretou a morte física e política de Cuba : “A renovação anunciada no congresso dos comunistas cubanos é a antessala da morte . Física e política .” Não é o que pensa Catherine Ashton, Alta Representante de Política Exterior da União Europeia e vice-presidente da Comissão Europeia, a mesma que defende ardorosamente a participação dos países europeus na guerra civil da Líbia. A Europa Press informa que ela seguiu com interesse o Congresso e disse que a União Europeia celebra o anúncio de reformas econômicas feito pelo regime de Raúl Castro e considera que o anúncio do PCC “indica que há avanços significativos na frente econômica e apontam progressos remarcáveis também no plano político .”
Aí o professor resolve debochar da história e dos personagens da história : “Na década de 1950, Raul e Machado Ventura davam tiros em Sierra Maestra .” Raul , 27 anos , Ventura , 28. Além desses dois , também ‘davam tiros ’ Fidel, 32, Che, 30, Camilo, 27. Os tiros desses jovens guerrilheiros derrubaram o governo sanguinário , corrupto e repressor de Fulgêncio Batista e seu exército , apoiado por Washington e fizeram triunfar a Revolução Cubana. Esses heroicos combatentes foram os mesmos que há 50 anos na Playa Girón infligiram a primeira derrota do imperialismo na América. E a América Latina toda ficou um pouco mais livre e independente .
Diz mais o professor que “ em Cuba , o Estado geriátrico é o reflexo do envelhecimento do regime ”. Deve ou deveria ter visto por canais interativos , You Tube, Telesur e outros , o desfile militar e a marcha dos habitantes de Havana na manhã de 14 de abril . Somente alguém insensível ou movido pela intolerância e pelo ódio político não se sentiria tocado pelo entusiasmo de imensos contingentes juvenis e estudantis diante de uma multidão de centenas de milhares que tomou a gigantesca Praça da Revolução . Não marchavam para protestar nem para pedir a renúncia do governo e sim para apoiá-lo e alentá-lo e para dizer que seguem em frente na defesa do socialismo . O presidente Raul Castro expôs no Congresso , com a dureza necessária , algumas questões fulcrais: uma deles é modificar a mentalidade , quebrar esta barreira psicológica nos quadros do partido , como pré-condição para a efetivação das grandes mudanças propostas . A outra a incapacidade , que Raul chamou de vergonha , de ir criando quadros para substituir a geração histórica . O novo Comitê Central de 115 membros já registra uma renovação profunda em termos etários e uma proporcionalidade próxima da realidade demográfica no número de mulheres , negros e mestiços .
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