Mapuches em greve de fome começam a entrar em estado crítico
Natasha Pitts
Adital - As demandas da população mapuche, no Chile, continuam sem resposta concreta. Por isto, 32 presos políticos desta etnia estão mantendo a greve de fome, que já dura 52 dias. Segundo boletim médico divulgado recentemente, nos próximos dias os indígenas poderão entrar em estado crítico e risco vital. Ontem, três menores de idade mapuche, também presos, aderiram à greve de fome.
Três grevistas já foram levados ao hospital por estarem com a saúde fragilizada, em virtude de ingerirem apenas líquidos. Entre eles, Felipe Huenchullan e Mauricio Huaiquilao, foram levados ao serviço médico com urgência por estarem com a vida em risco. Os mapuche já perderam entre 15 e 18 quilos desde o dia 12 de julho.
"[Os grevistas] já entraram em uma etapa crítica, em que provavelmente vão perder mais tecido muscular e talvez nos próximos dias já se começam a debilitar os órgãos nobres, como fígado, rim e coração", informou María Tralcal, porta-voz das famílias dos grevistas, à Rádio Cooperativa.
Tralcal expressou ainda que as famílias seguem preocupadas com o estado de saúde dos grevistas, mas "também entendem que os irmãos tomaram a decisão e sua postura sempre foi a de chegar até as últimas consequências".
Na tentativa de conseguir a atenção do governo chileno, três menores de idade mapuche, presos no centro especial de Chol Chol, aderiram à greve de fome. Luís Marileo Cariqueo, Cristian Cayupan Morales e Jose Ñiripil Pérez justificaram a adesão esclarecendo que até o momento as respostas do governo foram nulas para todas as demandas mapuche. Os jovens reclamam também o fato de não serem reconhecidos como presos políticos.
Além disso, há ainda a intenção de denunciar as irregularidades cometidas dentro do centro de detenção para menores, que vão desde maus-tratos, até a restrição de visitas e a proibição da entrada de comida saudável como pão, carne e frutas, sendo permitido apenas receberem guloseimas, batatas-fritas e refrigerante.
Diante disto, o ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, chamou os presos mapuche a encerrar a greve e anunciou o envio de dois projetos de lei que buscam reformar a lei ‘antiterrorista’. A intenção do ministro foi bem aceita pelo dirigente mapuche José Nain, que afirmou que os mapuche esperam que isto seja feito com a máxima brevidade para que a saúde dos grevistas não seja ainda mais debilitada.
Já a postura do presidente chileno, Sebastián Piñera, foi a recusa de negociações e diálogo com os presos mapuche. Ainda assim, o mandatário se comprometeu em modificar a ‘lei antiterrorista’ e o código de justiça militar. Até este momento, os presos políticos seguem aguardando respostas concretas as suas demandas.
Histórico
A greve teve início no dia 12 de julho, nas prisões de Temuco e Concepción e recebeu a adesão dos presos políticos mapuche de Angol, Valdivia e Lebu. O foco das reivindicações é o fim da chamada ‘lei antiterrorista’, que trata os presos mapuche como ‘inimigos perigosos da sociedade’, inverte a presunção de inocência ao manter os suspeitos detidos mesmo sem provas; acata investigações secretas, aceita ‘testemunhas sem rosto’ e triplica as penas, que podem ir de 60 a 103 anos.
Também reivindicam a desmilitarização de suas comunidades, o fim dos processos duplos na justiça militar e civil e a liberdade para todo preso político mapuche.
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Grande mídia ignora greve de fome de mapuches chilenos
Ainda hoje a nossa mídia de referência (também conhecida como grande mídia, mídia hegemônica, mídia golpista) ecoa comentários raivosos contra o governo cubano ao abordar a greve de fome realizada por alguns presos da Ilha, soltos recentemente. A conduta desses meios de comunicação em relação à greve de fome dos índios mapuches chilenos, que rola há 53 dias, é bem diferente.
Neste caso, predomina, e não é só no Chile, o silêncio cínico e a cumplicidade com a repressão e a criminalização dos movimentos e das lutas sociais.
O uso de dois pesos e duas medidas pelos meios de comunicação monopolizados por um pequeno grupo de famílias capitalistas não chega a ser novidade. Reflete o pensamento e a prática da direita. Tal mídia tratou como “presos de consciência” indivíduos que foram encarcerados por crimes comuns, conforme esclareceu o governo cubano. Agora, como os presos políticos são índios (sujeitos secularmente à opressão e ao genocídio) em luta contra grandes empresas capitalistas, a preocupação com as liberdades humanas e a democracia desaparece. A situação dos grevistas é dramática.
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